Introdução ao problema
O comércio de canetas emagrecedoras ilegais esconde uma rede criminosa organizada que opera principalmente na fronteira com o Paraguai. Essas canetas, que prometem uma solução rápida para emagrecer, são vendidas em camelôs e grupos de bairro, muitas vezes sem que os compradores percebam que estão lidando com o crime organizado.
Apreensões e estatísticas
A Polícia Federal (PF) apreendeu 165,6 mil unidades de medicamentos para emagrecimento no Brasil de janeiro até o início de junho de 2026, quase o triplo das 60,9 mil unidades recolhidas durante todo o ano de 2025. A Receita Federal detectou um motorista que transportava remédios para emagrecer em esconderijo na própria bota.
O estado do Paraná responde por 56,2% do volume apreendido, com quase 93 mil unidades. São Paulo aparece depois, com 40,9 mil. Os dois estados concentram 80,9% do total. A PF registrou apreensões em 26 unidades da Federação; apenas Tocantins não aparece no levantamento.
Organização criminosa
A rede criminosa por trás do comércio de canetas emagrecedoras ilegais é altamente organizada. Depósitos no Paraguai despacham cargas de milhares de ampolas direto para caminhões, sem passar pelo varejo. A entrada e a circulação dos produtos ilegais não se limitam às fronteiras terrestres, com apreensões também sendo feitas em aeroportos.
Segundo o presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf), Luciano Stremel Barros, a rapidez do avanço das canetas emagrecedoras ilegais está ligada às diferenças regulatórias e tributárias entre Brasil e Paraguai. A procura brasileira encontrou do outro lado da fronteira uma estrutura capaz de colocar novos produtos no mercado em pouco tempo.
Riscos para a saúde
Os medicamentos que circulam no mercado ilegal não oferecem garantia de procedência, composição ou conservação. Não há segurança de que o conteúdo corresponda ao rótulo nem de que o medicamento tenha sido mantido nas condições necessárias. A Anvisa passou a exigir a retenção da receita em 2025 após identificar um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso fora das indicações aprovadas.
Fonte: Gazeta Brasil


