A Cachaça de Luxo
Uma cachaça de R$ 16 mil por garrafa exposta na principal feira do setor virou símbolo da aposta do mercado brasileiro no segmento premium. A Weber Haus, de Ivoti (RS), levou a Diamant 21 à Expocachaça, realizada no início de agosto em Belo Horizonte (MG). A edição limitada de mil unidades tem 21 anos de envelhecimento e diamante incrustado no vidro.
A versão mais cara traz um diamante de 3,6 gramas lapidado e incrustado manualmente no vidro. Sem a pedra, o preço cai para R$ 10 mil, mas permanece como uma das cachaças mais caras do país. A primeira garrafa da série foi leiloada em novembro de 2021 por R$ 67 mil.
O Mercado da Cachaça
A indústria da cachaça vive um movimento contraditório, e as garrafas premium são sua face mais visível. Em 2025, o Brasil tinha 1.538 estabelecimentos produtores registrados no Ministério da Agricultura (Mapa). São 272 novos produtores em doze meses — alta de 21,5%, a maior da série histórica iniciada em 2018.
Paralelamente, o volume de produção encolheu 15% em relação a 2024: mais produtores, menos litros. Segundo especialistas do setor, o movimento está relacionado à migração para produtos de maior valor agregado.
O Consumidor e o Mercado de Luxo
O comportamento do consumidor confirma a direção: dois terços dos consumidores globais preferem uma ou duas bebidas de qualidade a quatro ou cinco baratas, segundo a NIQ, braço da Nielsen. Apenas 9% fazem o oposto. O dado reflete uma mudança estrutural: menos volume, mais valor por garrafa.
O levantamento indica, ainda, que quase um terço dos compradores de luxo valorizam bebidas “bonitas o suficiente para postar online”. Isso ajuda a explicar o diamante incrustado no vidro da Diamant 21.
Fonte: Gazeta Economia


