NacionalNova travessia catarinense espelhada na Ponte de Guaratuba busca fonte de recurso

Nova travessia catarinense espelhada na Ponte de Guaratuba busca fonte de recurso

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Por Ricardo Sabbag

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Especial para a Gazeta do Povo

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10/08/2026 às 14:47

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Municípios da região nordeste catarinense estimam concluir até o fim deste ano o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea) da futura ponte que deve ligar Joinville, maior cidade de Santa Catarina, a São Francisco do Sul, cidade mais antiga do estado, sobre a baía da Babitonga. A exemplo da Ponte de Guaratuba, no Paraná, inaugurada em maio, a estrutura de Joinville a São Francisco – também chamada de Ponte da Vigorelli – substituiria a travessia de ferry-boat que funciona desde a década de 1990.

O Evtea foi contratado em março de 2025 pelo Consórcio Interfederativo Multifinalitário da Região da Associação dos Municípios do Nordeste de Santa Catarina (CIM-Amunesc). Inicialmente, o estudo deveria ser entregue em setembro de 2026, porém a conclusão foi prorrogada para dezembro.

A Amunesc afirma que “o Evtea da ponte entre Vigorelli e Vila da Glória [em São Francisco do Sul], encontra-se em fase final. Com a conclusão, os técnicos dos quatro municípios que estão viabilizando o estudo (Joinville, São Francisco do Sul, Itapoá e Garuva) terão que analisar a viabilidade técnica da ponte e dos traçados propostos, conforme as suas legislações. Somente após essa etapa será possível fazer o orçamento para apreciação e aprovação dos prefeitos em assembleia”.

Existe um consenso entre autoridades políticas e lideranças empresariais da região sobre os benefícios da execução do projeto. Para tirá-lo do papel, o primeiro entrave é burocrático: adaptar o estudo técnico às regulações locais de cada município afetado.

A segunda questão a ser resolvida é de ordem político-econômica: definir de onde virá a fonte principal dos recursos que financiarão as obras. O próprio Evtea deve apontar as primeiras possibilidades de modelos de financiamento. No momento é precipitado especular sobre o custo da ponte.

Como comparação, o governo do Paraná afirma ter gasto cerca de R$ 400 milhões na execução da Ponte de Guaratuba, para um trajeto de extensão semelhante aos dois projetos: 1,2 quilômetro. “A ponte sobre a baía da Babitonga é um projeto de interesse regional, que vai muito além da ligação entre Joinville e São Francisco do Sul”, afirma o presidente do CIM-Amunesc e prefeito de São Bento do Sul, Antonio Tomazini Filho (PL).

“Estamos falando de uma infraestrutura capaz de integrar ainda mais os municípios da Amunesc, melhorar a mobilidade, reduzir o tempo de deslocamento, fortalecer a logística e ampliar a competitividade econômica da nossa região”, acrescenta o prefeito.

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Obra é relevante tanto para o turismo quanto para a logística das empresas

Santa Catarina é um estado que vem se destacando na execução de projetos de infraestrutura no Brasil. Entre esses projetos está a que é considerada a maior obra de infraestrutura terrestre do país, o Contorno Viário da Grande Florianópolis, um conjunto de intervenções que somam 50 quilômetros de vias, quatro túneis duplos e sete pontes, num investimento que chega próximo da marca de R$ 4 bilhões.

O estado também investiu na infraestrutura portuária e aeroportuária, com a dragagem da própria baía da Babitonga, melhorias no Porto de Imbituba, modernização no Porto de Itajaí e revitalização e modernização dos terminais aeroportuários de Forquilhinha e Blumenau, para citar outros exemplos. 

O projeto da Ponte de Joinville a São Francisco, no entanto, ainda não foi acolhido por nenhum “patrono”. A Amunesc está à frente da execução dos estudos preliminares, mas dentro do governo do estado nenhuma liderança se manifestou sobre ele – há que se considerar as restrições do período eleitoral.

E mesmo os municípios direta e indiretamente envolvidos no projeto terão diferentes graus de interesse na execução conforme o projeto preliminar determine a porção de cada um na conta. “Grandes obras de infraestrutura demonstram que, quando existe planejamento, diálogo entre os entes públicos e compromisso com o interesse coletivo, projetos estruturantes podem sair do papel”, vaticina o prefeito Tomazini.

“Sabemos que a ideia ainda é bem embrionária e que há muitas etapas a serem vencidas. Seria uma obra relevante não apenas para o turismo, mas para a logística das empresas instaladas no norte do estado”, afirma o presidente da Associação Empresarial de Joinville (Acij), André Daher. “É preciso vontade política e visão estadista das autoridades para avançarmos com mais agilidade nesse setor”, completa.

O Brasil ainda está muito aquém em soluções de infraestrutura para melhorar a competitividade do setor produtivo e a segurança e o bem-estar das pessoas.André Daher, presidente da Associação Empresarial de Joinville

O Brasil ainda está muito aquém em soluções de infraestrutura para melhorar a competitividade do setor produtivo e a segurança e o bem-estar das pessoas.

Daher é um dos que vê no projeto paranaense da Ponte de Guaratuba uma inspiração para se erigir plano semelhante ligando Vigorelli à Vila da Glória, extinguindo o serviço de ferry-boat. “A região é responsável por 20% das riquezas produzidas em Santa Catarina, sexto estado no ranking nacional do PIB. A conexão rodoviária com os portos já existentes, como o de Itapoá e de São Francisco, além de outros projetados para o futuro na baía de Babitonga, é outro fator de relevância para se levar adiante a ideia da Ponte da Vigorelli”, defende o empresário.

A receita para se avançar, diz Daher, dependeria ainda de outros dois fatores: determinação para superar os obstáculos burocráticos e soluções criativas, como parcerias, para viabilizar as obras do ponto de vista econômico. “O Brasil ainda está muito aquém em soluções de infraestrutura para melhorar a competitividade do setor produtivo e a segurança e o bem-estar das pessoas”, afirma.

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Comparações inevitáveis com o projeto da Ponte de Guaratuba

Um dos principais símbolos – senão o principal – da gestão do governador Ratinho Junior (PSD) no Paraná, a Ponte de Guaratuba foi construída em cerca de dois anos com recursos oriundos do caixa do governo do estado. O desafio catarinense sobre a baía da Babitonga se assemelha bastante ao do estado vizinho, senão pelo fato de envolver mais municípios: reivindicação de décadas da população e empresariado local, serviço de transporte precário que limita as condições logísticas da região, até a distância entre os dois pontos da baía.

“A Ponte de Guaratuba foi uma obra que despertou o interesse da engenharia em todo o país. É um empreendimento com características semelhantes às da proposta em discussão para a baía da Babitonga, como a substituição da travessia por ferry-boat e uma extensão de cerca de 1,2 quilômetro”, analisa o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (Crea-SC), Carlos Alberto Kita Xavier.

“Toda obra importante deixa aprendizados. Cada projeto tem suas particularidades, mas experiências como essa mostram que, com planejamento, inovação e boa engenharia, é possível desenvolver uma infraestrutura que fortaleça a mobilidade, respeite o meio ambiente e impulsione o desenvolvimento regional”, completa.

Provocada sobre o comparativo com a ponte vizinha de Guaratuba, a Amunesc se manifestou em nota: “Ainda é cedo para fazer comparativos com a Ponte de Guaratuba, pois isso dependerá da escolha do pré-projeto, modelo construtivo, análise da viabilidade econômica do projeto e muitos outros fatores ainda indefinidos. Vencidas essas etapas, o desafio será buscar a fonte de recursos e de financiamento, que pode vir do governo do estado ou federal e instituições financeiras internacionais”.

“Nosso compromisso, neste momento, é garantir que todas as decisões sejam tomadas com base em estudos técnicos sólidos, considerando os aspectos de engenharia, viabilidade econômica e responsabilidade ambiental. É esse planejamento que dará segurança para as próximas etapas do projeto”, afirma o prefeito Tomazini, presidente do CIM-Amunesc.

O cuidado com o rigor técnico do projeto é compartilhado pelo engenheiro Kita Xavier, do Crea-SC: “Em um empreendimento como esse, é natural que aspectos como fundações, condições do solo, marés, navegação, acessos viários e durabilidade da estrutura façam parte das análises. São fatores que influenciam diretamente a segurança, a eficiência e o custo da obra”.

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Fonte: Gazeta Brasil

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