A Crise do Habib’s
O Grupo Gênios, controlador das redes Habib’s e Ragazzo, obteve na Justiça de São Paulo a suspensão de cobranças de dívidas por 60 dias para tentar renegociar um passivo que supera os R$ 300 milhões. A medida busca evitar o bloqueio de bens enquanto a gigante do setor de alimentação tenta sobreviver aos impactos da pandemia, da inflação e das mudanças profundas nos hábitos de consumo dos brasileiros.
Causas da Crise
A crise é resultado de uma combinação de fatores que atingiram o coração do modelo de negócios da marca. A pandemia reduziu drasticamente a circulação de pessoas nas lojas físicas, que são conhecidas por espaços amplos e áreas infantis. Ao mesmo tempo, o crescimento explosivo dos aplicativos de entrega trouxe uma concorrência feroz de pequenas empresas, comprimindo as margens de lucro. A inflação também desempenhou um papel crucial, elevando os custos de ingredientes e operação, o que tornou quase impossível manter a famosa estratégia de preços extremamente baixos.
Mudança no Perfil do Consumidor
O público das classes B, C e D, que sempre foi o foco do Habib’s, está mais endividado e cauteloso. Com cerca de 80% das famílias brasileiras enfrentando dívidas, o consumo de alimentação fora do lar tornou-se um dos primeiros itens a serem cortados no orçamento doméstico. Além disso, a rede tem sofrido críticas quanto à falta de padronização e queda na qualidade dos produtos.
Aprendizados e Plano de Recuperação
O fundador da rede, Alberto Saraiva, reconheceu que a gestão das despesas não recebia a atenção necessária antes da crise. Ele admitiu que era ‘solto’ com os gastos, delegando essa responsabilidade totalmente ao setor financeiro sem um controle rigoroso sobre a eficiência operacional. Com a necessidade de sobrevivência, o grupo passou a enxergar cada item de despesa como prioridade máxima, buscando eliminar o que Saraiva chama de ‘excesso de gordura’ no negócio.
A principal estratégia atual é a migração para formatos de lojas menores e mais eficientes, como quiosques e unidades no modelo ‘express’. Esses modelos exigem menos investimento inicial, têm custos fixos reduzidos e se adaptam melhor à realidade do delivery e do consumo rápido em locais de grande circulação.
Fonte: Gazeta Economia


