Introdução
Um estudo publicado na revista científica Developmental Science revela que a presença da fé religiosa na cultura de uma sociedade atua como um escudo contra transtornos de ansiedade em crianças e adolescentes. A análise, que utilizou dados globais colhidos entre 1989 e 2022, aponta que o foco na espiritualidade e na união comunitária oferece mais proteção emocional do que a busca isolada pela independência individual.
Como a religião consegue proteger a saúde mental de crianças e jovens?
A religião funciona como uma espécie de rede de segurança emocional que oferece o que os especialistas chamam de bens universais: um sentido de pertencimento, ordem, propósito e rotina. Quando uma criança cresce em um ambiente onde existem normas claras e vínculos comunitários fortes, ela não precisa carregar sozinha o peso de descobrir como o mundo funciona ou como deve se comportar.
Por que a independência individual está ligada ao aumento da ansiedade?
O estudo observou um fenômeno curioso nas chamadas nações WEIRD, termo usado para descrever países ocidentais, ricos e democráticos. Nessas sociedades, há uma pressão muito grande para que a pessoa seja independente, autossuficiente e bem-sucedida por conta própria. Embora a independência seja vista como um valor positivo, em países já desenvolvidos ela acaba gerando uma competição feroz e uma cobrança excessiva por conquistas individuais.
Qual é o peso da sociedade em comparação com as crenças da própria família?
Um dos pontos mais surpreendentes da pesquisa é que a proteção contra a ansiedade vem mais do ambiente social ao redor do que das crenças individuais da mãe ou do pai. Nos Estados Unidos, por exemplo, os dados mostraram que o nível de religiosidade da comunidade onde a família vive é um indicador muito melhor da saúde mental da criança do que a fé praticada apenas dentro de casa.
Quais foram as principais conclusões sobre as mudanças sociais nas últimas décadas?
Os pesquisadores analisaram três décadas de registros globais e perceberam um padrão claro: nos países onde a importância da fé religiosa na criação dos filhos diminuiu ao longo dos anos, as taxas de ansiedade juvenil deram um salto. O fator de proteção não é o valor comunitário de forma genérica, mas a fé religiosa especificamente.
Fonte: Gazeta Mundo


