Conflito no Iêmen e seus Impactos
A escalada dos confrontos entre a Arábia Saudita e os houthis no Iêmen abre uma nova frente de guerra no Oriente Médio, ameaçando não apenas o comércio de petróleo pelo Mar Vermelho, mas também os planos de Riad de reduzir sua dependência do petróleo por meio da Visão 2030.
Lançado em 2016, o projeto saudita visa a transformação econômica, social e tecnológica do reino, por meio de investimentos e fomento à construção de megaprojetos no país, com o objetivo de tornar o Oriente Médio um destino seguro e atraente para o turismo.
Desafios para a Visão 2030
A crise no Iêmen, que ganhou novos contornos com a guerra entre Irã e EUA, prejudica diretamente os planos visionários sauditas. A detenção de empresários sauditas em 2017 e o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi em 2018 desviaram a atenção das reformas econômicas. Além disso, a pandemia de Covid-19 agravou o cenário, derrubando os preços do petróleo e afetando a economia global.
A guerra em curso no Oriente Médio representa mais um desafio para o projeto, sobretudo por afetar um dos principais pilares do projeto: o turismo. O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) estimou que a guerra em andamento no Oriente Médio está custando à indústria de viagens e turismo aproximadamente 515 milhões de euros por dia.
Impactos na Economia e na Segurança
Os reveses no projeto da Arábia Saudita incluem a perda de investimentos estrangeiros essenciais para a diversificação econômica, além de elevar custos logísticos e forçar o governo saudita a redirecionar bilhões de dólares de megaprojetos estruturais para gastos emergenciais de defesa e segurança.
Analistas consultados explicam que a instabilidade no Iêmen é uma tática de pressão dos houthis para obter concessões de Riad ou o primeiro passo para uma nova guerra no Iêmen, com a finalidade de enfraquecer o governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita e conquistar uma nova parcela do território.
Consequências para a Região
A situação no Iêmen e no Mar Vermelho permanece instável, o que dificulta a garantia de segurança de infraestrutura estratégica, especialmente a ligada ao petróleo. A ameaça persistente a rotas estratégicas de energia pode ser uma tática de pressão dos houthis para obter concessões de Riad.
Os planos estratégicos do reino também contrastam diretamente com a existência do grupo extremista, visto que a segurança regional é um dos pilares para a atração de investidores e turistas. A retomada da instabilidade e os ataques a ativos energéticos afugentam o investimento estrangeiro essencial para a diversificação econômica.
Fonte: Gazeta Mundo


