Gasto militar em alta
O gasto militar do Brasil alcançou US$ 23,9 bilhões em 2025, representando um aumento real de 13% em relação ao ano anterior. Esse valor é mais de quatro vezes a média mundial, de acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri).
Um fator que contribui para esse aumento é a parcela cada vez maior dos recursos destinada ao pagamento de militares inativos, que hoje já custa mais do que o efetivo na ativa.
Despesas com militares inativos
Segundo dados do Observatório de Pessoal do Ministério da Gestão, a folha de aposentados e pensionistas cresceu mais de duas vezes mais rápido que a de ativos e segue pressionando o orçamento de defesa. Em 2020, para cada real gasto com militares na ativa, outros R$ 1,63 iam para inativos. Em 2025, já eram R$ 1,82.
Os gastos com militares inativos saltaram de R$ 50 bilhões para R$ 60,7 bilhões entre 2020 e 2025, uma alta nominal de 21,4%. Já as despesas com pessoal militar ativo cresceram 9,2% entre 2020 e 2025, passando de R$ 30,6 bilhões para R$ 33,4 bilhões.
Gasto militar em perspectiva internacional
O aumento nos gastos militares em 2025 colocam o Brasil na contramão do restante das Américas, que registraram uma redução de 6,6% em termos reais no período.
O país consolidou a liderança em gastos com a Defesa na América do Sul e ocupa a 21ª posição no ranking dos maiores orçamentos militares em escala global.
Apesar da aceleração recente, o esforço brasileiro continua pequeno em comparação internacional. O dispêndio militar brasileiro representou apenas 1,1% do PIB em 2025, contra média mundial de 2,5%, também segundo o Sipri.
Investimentos em equipamentos
Além da ampliação dos custos com pessoal inativo, especialistas atribuem o crescimento das despesas com defesa à destinação de recursos a desenvolvimento tecnológico naval e aéreo.
As fragatas da classe Tamandaré, os submarinos Scorpène e os caças Gripen são contratos que finalmente chegam à fase de entrega.
O volume de importações de sistemas de armas de grande porte cresceu 150% entre 2021 e 2025 na comparação com o quinquênio anterior (2016-2020), segundo o Sipri.
Análise especializada
Para Gunther Rudzit, professor de relações internacionais da ESPM, o aumento nos gastos militares é uma reação tardia a duas realidades, uma interna e outra externa.
Rudzit classifica o aumento nos gastos militares como reação ao enfraquecimento da Ordem Internacional Liberal e à necessidade de recomposição das capacidades perdidas nas últimas décadas.
Especialistas descartam uma corrida armamentista por parte do governo brasileiro, atribuindo o aumento do orçamento de defesa à dinâmica política doméstica.
Fonte: Gazeta Economia


