NacionalPolícia Federal indicia 16 pessoas por queda de avião da Voepass

Polícia Federal indicia 16 pessoas por queda de avião da Voepass

Queda do avião da Voepass

A Polícia Federal (PF) indiciou 16 pessoas pela queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024, que deixou 62 mortos. O relatório final do inquérito sobre o acidente foi apresentado na quinta-feira (6).

Entre os indiciados estão o piloto do voo anterior ao acidente, que, segundo a PF, deixou de registrar as falhas no sistema de degelo; outros dois pilotos; três despachantes operacionais, responsáveis pelo planejamento dos voos; um mecânico; três gerentes das áreas de operações, manutenção e engenharia; o chefe do Centro de Controle Operacional (CCO); os diretores de operações, manutenção e segurança operacional; e o diretor-presidente da Voepass.

Investigação

Ao todo, 15 investigados foram indiciados por atentado contra a segurança do transporte aéreo, previsto no artigo 261 do Código Penal. Um dos pilotos também responderá por falsidade ideológica, sob a acusação de inserir informações falsas em documentos, como o diário de bordo da aeronave, omitindo as falhas registadas.

A pedido da Polícia Federal, a Justiça Federal determinou medidas cautelares que proíbem os 16 indiciados de deixarem o país enquanto o Ministério Público Federal (MPF) analisa se apresentará denúncia à Justiça.

Cultura de omissão

A conclusão da PF é que os indiciados, dentro de suas respectivas funções, contribuíram para o descumprimento de normas de segurança e de manutenção da aeronave. Segundo a investigação, a diretoria da Voepass tinha conhecimento das irregularidades apontadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mas não adotou medidas para reduzir o risco.

A investigação também aponta que a empresa mantinha uma “cultura” organizacional em que problemas técnicos, como as falhas no sistema de degelo que levaram ao acidente, eram omitidos para manter as aeronaves em operação.

“A investigação comprova que havia por parte da chefia dos pilotos e da direção de operações orientação para não reportar as falhas, porque as falhas poderiam parar a aeronave, impedindo um voo subsequente”, afirmou André Ribeiro, delegado-chefe da Polícia Federal em Campinas, durante coletiva de imprensa na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo nesta quinta.

Reações

A presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283, Fátima Albuquerque, disse em coletiva após a divulgação das informações pela PF que o indiciamento representa o fechamento de um ciclo e a abertura de outro “de mais luta”.

“Eles precisam ser punidos como exemplo não só para a aviação civil, mas para a construção civil, fábricas, qualquer empresa que tenha esse tipo de modus operandi criminoso”, afirmou. “Eles eram profissionais, sabiam o que estavam fazendo, sabotando a fiscalização, fazendo gambiarra em uma aeronave que poderia matar. Todos eles sabiam que aquela aeronave uma hora ia cair, só quem não sabia foram aqueles que subiram naquela aeronave, como minha filha.”

A Voepass informou que a segurança operacional sempre foi sua prioridade e que colaborou com as investigações. A empresa reitera sua solidariedade às famílias das vítimas e reafirma que permanece à disposição das autoridades, das instituições competentes e dos demais agentes envolvidos para prestar todos os esclarecimentos necessários.

Fonte: Gazeta Brasil

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