Um novo cenário político
Uma eventual maioria de senadores disposta a analisar, pela primeira vez na história, os muitos pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) poderá inaugurar, a partir de fevereiro de 2027, um dos períodos de maior tensão entre os Poderes desde a redemocratização.
A perspectiva é prioridade máxima da direita para as eleições de 2026, pois apenas o exercício da prerrogativa exclusiva do Senado de confirmar e de destituir juízes dos tribunais superiores pode cessar a perseguição do STF a esse espectro político, além de reequilibrar os três Poderes da República.
Successão na cúpula do Judiciário
Essa batalha nas urnas ganha cores ainda mais dramáticas com a sucessão prevista na cúpula do Judiciário. Pelo critério tradicional de antiguidade adotado pelo STF, o ministro Edson Fachin, presidente da Corte, será substituído pelo vice, Alexandre de Moraes, em setembro do próximo ano.
Para políticos conservadores, a ascensão de Moraes, alvo de dezenas de pedidos de afastamento protocolados nos últimos anos por cidadãos e parlamentares na Secretaria da Mesa do Senado, seria a consagração de um poder que há anos vem extravasando suas competências e corrói as bases da democracia.
Consequências da eleição
A persistente crise institucional brasileira, aprofundada desde 2019 pelo ilimitado inquérito das fake news, também chamado de “inquérito do fim do mundo” e relatado por Moraes, espelha o impasse gerado pela inoperância da única instância de correição do STF, também ausente na autocontenção.
É por isso que muitos consideram a renovação de dois terços do Senado, 54 de suas 81 cadeiras, o pleito mais importante das eleições de 2026, capaz de afetar o rumo do país nas próximas décadas. Mais do que escolher o presidente do país, o eleitor é convidado a sacar o único remédio para o caos da República.
Grupos de apoio e resistência a impeachments já se armaram. A constatação de que Moraes segue para o topo do Judiciário pode reforçar o engajamento da militância conservadora nas campanhas de candidatos ao Senado.
Fonte: Gazeta Política


