Política de portas abertas
A política de portas abertas implementada pelo governo socialista da Espanha, liderado pelo premiê Pedro Sánchez, parece mostrar seus primeiros efeitos com a crise migratória em Ceuta. Em abril, a gestão implementou novas regras que abrem caminho para que cerca de 500 mil imigrantes que moram no país europeu ilegalmente obtenham autorizações de residência e de trabalho.
Consequências da política
A Espanha agora precisa gerir a chegada de milhares de imigrantes irregulares marroquinos que dirigiram-se à fronteira entre Castillejos (Marrocos) e Ceuta. A política de portas abertas recebeu um importante respaldo do Judiciário meses depois, com uma decisão do Supremo Tribunal espanhol que confirmou que a lei da imigração não permite a aplicação de repulsões na fronteira, também conhecidas como “retornos imediatos” (expulsão imediata), a migrantes interceptados no mar.
Impacto na cidade
A cidade de Ceuta está paralisada, com restaurantes e cafés fechados mais cedo do que o habitual por medo de tumultos, e circular de carro é praticamente impossível devido aos engarrafamentos monumentais causados pelo caos e pelos bloqueios de estradas. A situação também gerou uma sobrecarga nos centros de acolhimento.
Causas da crise
A crise em Ceuta começou no início desta semana, poucos dias depois de a Espanha ter dado passos em direção ao reconhecimento da nacionalidade dos saarauís nascidos sob a antiga administração colonial no Saara Ocidental. A crise também ocorre uma semana após a visita do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, à Argélia, país com o qual Rabat não mantém relações desde 2021, em meio a tensões alimentadas por sérias divergências sobre o Saara.
Localizada na costa norte do Marrocos, Ceuta é separada da Espanha continental pelo Estreito de Gibraltar e há muito tempo é um ponto focal para migrantes que tentam chegar à Europa, visto que é a única fronteira terrestre da União Europeia com o continente africano.
Fonte: Gazeta Mundo


