Impacto do mercado chinês
A invasão de carros chineses no mercado brasileiro fez o valor médio dos veículos zero km registrar a primeira queda de preço desde a pandemia. Segundo dados da consultoria Bright Consulting, o preço médio dos veículos leves teve uma redução de 1,5%, já descontada a inflação.
O levantamento registrou uma mudança no valor de tabela, que passou de R$ 172,5 mil em 2025 para R$ 170 mil em junho de 2026. É o primeiro recuo desde o ano de 2020. A variação é ainda maior quando se considera o valor efetivamente pago pelo consumidor: o preço médio de transação caiu 3,5% em termos reais, passando de R$ 157,7 mil para R$ 152,1 mil.
Análise do setor
A consultoria aponta uma inflexão importante no setor, que vinha sustentando uma tendência de alta desde 2020. Durante a pandemia, a escassez de semicondutores permitiu sucessivos reajustes bem acima da inflação. Posteriormente, a normalização da produção veio acompanhada de descontos crescentes, que, embora indicassem uma competição acirrada, ainda eram insuficientes para reduzir os preços reais.
Montadoras chinesas como a BYD (Build Your Dreams) e a GWM vêm inundando o mercado nacional com seus modelos, especialmente elétricos e híbridos. Um exemplo é o BYD Dolphin Mini, vendido a cerca de R$ 100 mil, que se tornou rapidamente figura comum no cenário urbano das grandes cidades brasileiras.
Caso do BYD Dolphin
Segundo a Fenabrave, o BYD Dolphin Mini foi o carro mais emplacado do Brasil em fevereiro de 2026. “Os veículos oferecem um nível de equipamentos significativamente superior ao dos concorrentes tradicionais, sem cobrança proporcional no preço”, destaca Cassio Pagliarini, chefe de marketing da Bright Consulting.
Brasil se torna maior importador de carros chineses
O Brasil se tornou, no primeiro semestre deste ano, o maior importador de carros chineses do mundo, segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Entre janeiro e maio deste ano, o Brasil importou US$ 5,2 bilhões em veículos, ultrapassando a Rússia, segunda colocada, que importou US$ 5 bilhões.
O crescimento foi de quase 147% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 2,1 bilhões). O Brasil é visto como um mercado prioritário para a expansão comercial dos chineses, com preços competitivos e ampla oferta de veículos eletrificados.
Fonte: Gazeta Economia


