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Passividade, críticas e choque de interesses do governo Lula contribuíram para o tarifaço

Condução da política externa do governo Lula

As falhas na condução da política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contribuíram para a sucessão de novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Segundo analistas, os argumentos técnicos apresentados por Washington pesaram menos que os aspectos políticos.

Fatores que agravaram a relação bilateral

Três fatores explicam o agravamento da relação bilateral: o desgaste político entre Lula e o presidente Donald Trump, o choque de interesses estratégicos entre Brasília e Washington e a falta de uma estratégia comercial brasileira de longo prazo para reduzir a dependência de mercados tradicionais.

Após a sobretaxa de 25% anunciada por Washington, o governo Donald Trump aplicou uma onda de tarifas para 41 países que atingiu os produtos brasileiros com mais 12,5% de tributos. A justificativa foi a falta de ações de combate ao uso de trabalho forçado no desenvolvimento de mercadorias.

Resposta do governo brasileiro

O governo brasileiro afirma que buscou negociar com os Estados Unidos e atribui as tarifas a uma decisão de natureza predominantemente política. No entanto, analistas avaliam que a condução da política externa contribuiu para o agravamento da crise.

A deterioração do ambiente político entre os dois governos é um dos elementos apontados como relevantes no contexto das tarifas. O histórico de embates públicos é citado como um fator que dificulta a interlocução política em momentos de crise.

Choque de interesses entre Brasil e EUA

O governo Lula adotou prioridades distintas das esperadas por Washington. Desde o início do mandato, o presidente reforçou a aproximação com os BRICS e manteve interlocução frequente com a Rússia em temas multilaterais. Ao mesmo tempo, as divergências públicas com os Estados Unidos aumentaram em temas como guerras, governança digital e organismos internacionais.

O resultado foi um choque de interesses entre as prioridades estratégicas de Brasília e as da Casa Branca. Outros parceiros comerciais dos Estados Unidos procuraram enfatizar a cooperação bilateral durante as negociações comerciais, enquanto o governo brasileiro privilegiou um discurso de autonomia estratégica e defesa da multipolaridade para gerar benefícios eleitorais internos.

Falta de estratégia comercial

Outro ponto levantado pelos analistas diz respeito à estratégia comercial do governo. Após a confirmação do tarifaço de 25%, integrantes do governo destacaram que o Brasil continua ampliando mercados para seus produtos e ressaltaram a abertura de novos destinos para as exportações do agronegócio.

No entanto, a abertura de mercados é uma política permanente de Estado e não uma resposta emergencial a crises comerciais. Apresentar a expansão de mercados como principal argumento diante do tarifaço evidencia uma visão de curto prazo da política comercial, quando o desafio central seria ampliar a presença brasileira em cadeias globais de valor e reduzir vulnerabilidades antes que conflitos comerciais ocorram.

Fonte: Gazeta Política

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