NacionalArara-azul-grande retorna à lista de espécies ameaçadas de extinção no Brasil

Arara-azul-grande retorna à lista de espécies ameaçadas de extinção no Brasil

Retorno à lista de ameaçadas

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) incluiu a arara-azul-grande novamente na Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção. A listagem publicada reúne 789 espécies ameaçadas e nove extintas entre mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres, e substitui a versão anterior, de 2022.

Motivos do retorno

A arara-azul-grande foi incluída na categoria “Vulnerável”, que reúne espécies que enfrentam um risco alto de extinção. Embora ainda possa existir em números relativamente maiores que outras categorias, suas populações estão diminuindo ou seu habitat está sendo reduzido de forma preocupante.

Impacto dos incêndios no Pantanal

Segundo a presidente e fundadora do Instituto Arara Azul, Neiva Guedes, os grandes incêndios no Pantanal afetaram muito a espécie, que é mais suscetível por ter uma alimentação extremamente especializada e um hábitat bastante peculiar, o que a faz dependente de poucas espécies arbóreas na natureza para a sobrevivência.

Neiva explica, ainda, que os incêndios também levam a uma mudança na relação entre as espécies. “Aquelas que não predavam antes, agora começam a predar. Com isso, essas espécies que são mais suscetíveis, como a arara-azul-grande, acabam sendo grandemente afetadas, não só no momento do fogo, mas por vários anos depois”.

Monitoramento e conservação

Desde 1990, o Instituto Arara Azul realiza o estudo sobre a biologia básica, ecologia e aspectos sanitários no Pantanal Sul, fazendo o monitoramento das aves. Os ninhos são identificados, cadastrados e acompanhados de forma contínua.

Segundo Neiva, os dados mais recentes mostram impactos significativos causados pelos incêndios florestais. “Observamos que houve uma grande diminuição do número de casais se reproduzindo e, consequentemente, do sucesso reprodutivo por conta dos grandes incêndios. Eles afetam as araras-azuis, matam ninhos, ovos e filhotes e diminuem a imunidade da espécie, fazendo com que os filhotes tenham lesões na pele e baixo desenvolvimento”.

O Instituto também associa o aumento dos índices de nanismo na espécie às consequências dos incêndios. O instituto acompanha as araras desde 1990 e tem hoje um histórico de dados e monitoramento.

“Com ações como a instalação de ninhos artificiais, manejo de ninhos naturais e a ampliação das áreas de estudos, nós conseguimos melhorar o sucesso reprodutivo”, completa.

Fonte: Gazeta Brasil

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