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Desmantelamento de rede de narcotráfico: como a quebra do aplicativo EncroChat revelou o ‘Pablo Escobar brasileiro’

Introdução ao caso

A Europol e polícias europeias desmantelaram uma rede bilionária de narcotráfico após hackear o serviço EncroChat, um aplicativo de telefonia criptografada.

A investigação revelou que o ex-major da PM Sergio Roberto de Carvalho comandava um esquema internacional que movimentou toneladas de cocaína e milhões de euros com máfias belgas.

O que era o EncroChat?

O EncroChat era um serviço de telefonia altamente criptografado que funcionava em celulares modificados, oferecendo funções como microfones desabilitados, um sistema operacional oculto e até um ‘botão de pânico’ para apagar dados remotamente.

Estima-se que 90% de seus 60 mil usuários eram envolvidos com atividades ilícitas, como tráfico de drogas e armas, acreditando que suas comunicações eram inquebráveis.

Como a polícia conseguiu invadir o sistema?

A polícia da França descobriu que os servidores da empresa estavam em seu território e, como a lei francesa proíbe serviços de criptografia sem autorização, as autoridades conseguiram permissão judicial para instalar um dispositivo físico nos servidores.

Isso permitiu que monitorassem e descriptografassem as mensagens em tempo real antes de lançarem uma operação massiva em junho de 2020.

O ‘Pablo Escobar brasileiro’

Trata-se de Sergio Roberto de Carvalho, um ex-major da Polícia Militar, apontado como um dos maiores traficantes do mundo, liderando uma organização sul-americana que exportava cocaína para a Europa.

No sistema EncroChat, ele usava o pseudônimo ‘Lucrativeherb’. Carvalho chegou a forjar a própria morte para escapar da justiça antes de ser preso novamente em 2022.

Relação com o traficante belga ‘Corta Dedos’

Eles formaram uma sociedade comercial para importar cocaína do Brasil em contêineres de minério de manganês.

O traficante belga Flor Bressers, apelidado de ‘Corta Dedos’, era responsável pela compra da droga.

Em apenas dez meses, Bressers pagou 99 milhões de euros ao brasileiro por sua parte nos carregamentos bem-sucedidos enviados para portos europeus.

Impactos da colaboração internacional

A troca de informações entre a Bélgica, França e o Brasil permitiu que a Polícia Federal brasileira descobrisse novos braços da quadrilha que estavam fora do radar na Operação Enterprise.

O hackeamento mundial resultou em mais de 6,5 mil prisões e na apreensão de centenas de toneladas de drogas, além de armas e bens luxuosos, sendo considerada a maior investigação da história da Europol.

Fonte: Gazeta Brasil

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