Ortega e a Ditadura na Nicarágua
O líder da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou em um discurso na segunda-feira (20) que não permitirá novos processos eleitorais que ameacem o controle do partido governista. Ortega, um ex-guerrilheiro sandinista de 80 anos, está no poder desde 2007.
“Aqui (na Nicarágua) não haverá mais eleições para que eles (a oposição) não tentem tomar o governo, tomar o poder”, declarou Ortega durante um comício em massa em comemoração ao 47º aniversário da revolução sandinista, realizado em Manágua.
Reforma Constitucional e Poder Absoluto
Em meados de fevereiro de 2025, a Nicarágua implementou uma profunda reforma da Constituição Política, que transformou o Estado, eliminou o equilíbrio de poderes e concedeu poder absoluto a Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, que foi designada “copresidente” por meio de uma reforma constitucional.
A emenda estendeu o mandato presidencial de cinco para seis anos, estabeleceu a figura de um “copresidente”, determinou que o Executivo “coordene” os demais “órgãos” do Estado e legalizou a apatridia.
Reações Internacionais
A reforma constitucional foi duramente criticada pela ONU, pela Organização dos Estados Americanos (OEA), pelos EUA, pelo Parlamento Europeu e por membros da oposição nicaraguense. Em janeiro, o Departamento de Estado dos EUA acusou Murillo de ter criado o cargo de “copresidente” na Nicarágua sem eleições, sem mandato e sem legitimidade.
Ortega anunciou que contaria com o auxílio da Assembleia Nacional (Parlamento), subordinada ao seu regime, “e com as organizações correspondentes para criar leis que ergam um muro, um bloqueio, contra os golpistas, os traidores, e que não importa quanto dinheiro os ianques (EUA) lhes deem, eles não terão sucesso”.
Fonte: Gazeta Mundo


