Introdução ao Custo da Violência
A cada dois anos, quando se aproximam as eleições, candidatos de variados campos ideológicos discutem a qualidade e o tamanho dos gastos estatais. No entanto, um tema frequentemente negligenciado é o custo que o crime organizado impõe ao Brasil, funcionando como um ‘imposto oculto’ sobre as atividades econômicas do país.
O Custo do Crime Organizado
De acordo com um cálculo conservador do Instituto Igarapé, o crime organizado no Brasil custa até R$ 1,3 trilhão por ano, o que corresponde a 10,24% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025. Esse valor é distribuído por segmentos, incluindo crimes e violências contra a sociedade, mercados ilícitos e pirataria, economia subterrânea e sonegação, perdas ambientais, e roubo de cargas e ouro ilegal.
Desdobramentos do Custo da Violência
Além disso, o custo da violência se estende para além do crime em si, abrangendo perda de investimentos, retração econômica, ampliação do gasto público, desorganização territorial, enfraquecimento da capacidade estatal de resposta, e erosão do tecido social. A promotora Celeste Leite dos Santos destaca que a resposta do Estado deve ser integrada, permanente e baseada em evidências, combinando inteligência criminal, prevenção, repressão qualificada, cooperação interinstitucional, e proteção integral das vítimas.
Impacto na Sociedade e na Economia
O crime organizado afeta setores como o turismo e a logística, com o Rio de Janeiro deixando de arrecadar R$ 3,3 bilhões em 2023 devido à sensação de insegurança. Além disso, o setor de logística enfrenta roubos de carga, com perdas estimadas em R$ 1,2 bilhão em 2024. A violência também impacta a saúde pública, com o SUS gastando R$ 41 milhões em 2022 apenas com internações por ferimentos causados por armas de fogo.
Consequências Sociais e Econômicas
Organismos internacionais e estudos brasileiros qualificam o fenômeno da violência como um obstáculo estrutural ao desenvolvimento nacional. A doutrina contemporânea destaca que a segurança pública eficaz não se reduz à punição, mas demanda investigação rigorosa, produção de dados confiáveis, coordenação horizontal entre instituições, e fortalecimento das redes de proteção e assistência.
Fonte: Gazeta Brasil


