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Por Gabriel Sestrem
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18/07/2026 às 12:16
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O governo brasileiro deve descartar a possibilidade de retaliar os Estados Unidos por conta do "tarifaço" anunciado na quarta-feira (15) e continuar com a missão de buscar mais mercados para os produtos brasileiros no exterior, avalia Alexandre Chaia, professor do Insper, em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo.
O especialista aponta que uma eventual retaliação brasileira – como aumentar reciprocamente as tarifas para importação de produtos norte-americanos – poderia resultar em preços mais altos a consumidores e empresas.
As novas tarifas de 25% sobre parte dos produtos devem afetar exportações brasileiras equivalentes a US$ 11 bilhões, segundo estimativa da Amcham Brasil, e impactar mais fortemente os setores de máquinas, calçados e móveis.
Chaia, entretanto, avalia que o Brasil tem trunfos para não sentir tanto os efeitos do novo tarifaço. Leia a seguir os principais trechos da entrevista:
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Gazeta do Povo: Que tipo de medida de reação, por parte do governo, faria sentido economicamente sem escalar o conflito ou prejudicar consumidores e empresas brasileiras?
Alexandre Chaia: O governo não deveria tomar nenhuma medida agora. Há essa possibilidade [de retaliação] que está na mesa. Mas o governo já está fazendo o que é certo: ampliar o rol de exportadores para que a gente possa diminuir o impacto das novas tarifas, que deve ser baixo.
A maior parte da pauta de exportação para os Estados Unidos está protegida, porque é importante para eles. O que foi afetado é marginal, então pesará pouco.
Se o governo fizer alguma retaliação, vai piorar as coisas, e colocar mais calor nesse fogo e não trará benefício nenhum — só prejudicará o consumidor brasileiro. Retaliação com tarifas prejudicaria os consumidores brasileiros ao encarecer importações.
Como medida de contenção de danos, o governo precisa apoiar as empresas que terão dificuldade — as poucas que terão.
O Plano Brasil Soberano, com linhas de crédito via BNDES, é suficiente para aliviar os setores afetados, ou seria apenas um paliativo até uma solução política?
Alexandre Chaia: O governo enfrenta uma situação de restrição fiscal, limitando recursos para apoio direto. O plano [Brasil Soberano] é suficiente para cobrir perdas dos setores afetados.
Conseguimos, desde o primeiro tarifaço dos EUA [em 2025], ampliar os negócios com a União Europeia. Depois, teve o acordo novo com o Japão. E tem novos acordos que o governo fez para ampliar os mercados, que substituirão parte da demanda dos EUA. As poucas empresas que serão afetadas, na verdade, acabarão sendo levadas a arrumar novos mercados.
Enquanto esses novos mercados não surgirem, o plano do governo é suficiente para ajudar. Não vejo necessidade de fazer novas medidas além do próprio plano.
O susto maior foi o tarifaço anterior, que foi cancelado. Ali, o governo brasileiro foi pego meio de surpresa. No atual tarifaço, o governo já estava mais preparado. Além disso, os principais produtos de exportação para os EUA acabaram ficando de fora por causa exatamente da necessidade dos norte-americanos.
Então, acredito que é suficiente o governo manter essas regras de apoio com linhas de BNDES para as empresas que foram afetadas.
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Qual é a estimativa em relação ao impacto do tarifaço no PIB brasileiro e nas exportações totais para os EUA?
Alexandre Chaia: Estimar o impacto é prematuro. As exportações para EUA representam uma pequena porcentagem do PIB [cerca de 1,6% do PIB brasileiro, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC] e a lista de exceções foi muito grande. Se o governo realmente apoiar, é possível que o impacto seja bem reduzido.
E, como a gente acaba tendo um mercado consumidor que acaba demandando boa parte dos nossos produtos, o consumo local se torna o principal motor de crescimento da economia. Então é mais fácil sobreviver a esses choques.
No final, o tarifaço acabou tendo muito mais viés político do que prático, porque a maior parte das exportações foi preservada.Alexandre Chaia
No final, o tarifaço acabou tendo muito mais viés político do que prático, porque a maior parte das exportações foi preservada.
Como os Estados Unidos, apesar de tudo isso, não estão conseguindo substituir as importações com outros parceiros, provavelmente vão continuar comprando do Brasil. A perda não vai ser tão grande e quem vai pagar a conta é o consumidor americano, que vai pagar mais pelo produto que chega a ele.
Existe risco de repasse de custo para o consumidor brasileiro, ou o efeito fica concentrado nos exportadores?
Alexandre Chaia: Não vejo esse risco. O risco de repasse nos preços é para os consumidores americanos, porque estamos exportando para lá e quando chega lá o produto fica mais caro porque haverá uma tarifa adicional.
Aqui, como consumidores, a tendência é de quase nenhum impacto. Se houver, será positivo. Se no mercado interno houver excesso de produtos, isso resultará em mais oferta, o que pressionará os preços para baixo. Então, para o consumidor local, o risco é muito baixo.
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Fonte: Gazeta Economia


