Quem é Andrey Melnichenko
Considerado o “rei mundial dos fertilizantes”, o oligarca russo Andrey Melnichenko fez algo que já acabou mal para muita gente na Rússia: concedeu uma entrevista de mais de 60 horas à revista britânica The Economist, na qual assume uma postura que pode ser vista como crítica ao regime de Vladimir Putin.
Ele descreve cenários após o fim da guerra com a Ucrânia em que seu país poderia se tornar uma ditadura hermética, como a da Coreia do Norte, ou um ambiente de anarquia, tomado pelo caos e com um arsenal nuclear que pode ser detonado a qualquer momento.
Cenários pós-guerra
Os pensamentos de Melnichenko foram reunidos em um amplo artigo analítico sobre os impactos do conflito na Ucrânia para o futuro da Rússia.
Ele expôs quatro cenários pós-guerra, todos considerados por ele sombrios: reintegração periférica, dependência da China, guerra civil e fragmentação, e isolamento total (Modelo Coreia do Norte).
Reintegração periférica
A Rússia volta a se isolar e é reintegrada à ordem ocidental, porém confinada a uma posição secundária. Para Melnichenko, isso soa como vassalagem, e uma Rússia humilhada quase certamente geraria um “revanchismo agressivo”.
Dependência da China
O país seria permanentemente atraído para a órbita chinesa, funcionando como zona-tampão e fornecedor de recursos naturais. Com isso, a China passaria a ser responsabilizada pelos problemas locais e enfrentaria a rejeição da população russa.
Guerra civil e fragmentação
Considerado “inteiramente plausível” pela The Economist, o cenário prevê a Rússia mergulhada em um conflito interno, com diferentes senhores da guerra disputando recursos escassos. Uma Rússia em frangalhos e detentora de armas nucleares era o pior pesadelo dos EUA na queda da União Soviética — e continua sendo.
Isolamento total (Modelo Coreia do Norte)
Apoiado por setores da segurança e debatido no Kremlin, representa ameaça direta a Melnichenko e à elite russa. Envolve militarismo, repressão, racionamento e exportação de instabilidade.
Figuras que se manifestaram contra Putin e apareceram mortas
Executivos da Gazprom e Novatek, como Leonid Shulman, Alexander Tyulyakov, Vladislav Avayev e Sergey Protosenya morreram em “suicídios” ou quedas não esclarecidas.
Embora nem todos fossem críticos declarados, o momento das mortes levantou suspeitas de eliminação ou intimidação política.
Fonte: Gazeta Mundo


