Pesquisa da FGV
Uma pesquisa publicada em junho pela Escola de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV RI) mostrou que 83,5% dos produtores da fronteira agrícola, no Centro-Oeste e Norte do Brasil, identificam-se como de direita (44,1%) ou centro (39,4%), enquanto apenas 16,5% são identificados como de esquerda.
A maioria dos participantes acredita que o governo interfere demais na vida das pessoas (55,9%) e que a regulação governamental dos negócios faz mais mal do que bem (64,3%).
Relações internacionais
O estudo “Como a fronteira agrícola vê as relações internacionais” apontou também que, embora a China seja o principal destino da soja e da carne bovina produzida nas regiões, os entrevistados consideram a relação com os Estados Unidos mais segura.
Enquanto 21,8% dos entrevistados descrevem os EUA como “muito confiáveis”, apenas 12,6% dizem o mesmo da China. De acordo com o relatório, a confiança no país asiático recuou quase 20 pontos porcentuais desde 2017, mesmo com o crescimento da parceria comercial com o Brasil.
Cultura política
Essa cultura política antiestatista, segundo os autores do estudo, é a lente por meio da qual as pressões externas são filtradas e ajuda a explicar tanto a vantagem de credibilidade dos EUA quanto o ceticismo em relação ao modelo de Estado chinês.
O estudo alerta que, à medida que o peso eleitoral da fronteira cresce — seus estados respondem por aproximadamente 15% do eleitorado nacional —, as preferências da região impõem restrições reais às posições que Brasília pode adotar de forma crível na política externa.
A pesquisa foi conduzida entre 25 de outubro e 18 de novembro de 2025. Foram ouvidos mil entrevistados em 70 municípios do Centro-Oeste e do Norte.
Fonte: Gazeta Economia


