EconomiaPrograma bilionário de Lula para motoristas pode fortalecer ainda mais montadoras chinesas

Programa bilionário de Lula para motoristas pode fortalecer ainda mais montadoras chinesas

Por Diógenes Freire Feitosa

Por Diógenes Freire Feitosa

08/07/2026 às 17:34

08/07/2026 às 17:34

Dê de presente

Prefira a Gazeta no Google

Programa criado pelo governo para renovar a frota de taxistas e motoristas de aplicativo com uma linha de crédito de até R$ 30 bilhões, o Move Brasil deve impulsionar principalmente as montadoras chinesas instaladas no país.

Embora também contemple veículos flex, as regras do programa, somadas ao perfil dos modelos elegíveis e ao momento vivido pelo mercado, favorecem fabricantes como BYD, GWM e Geely. Essas marcas concentram boa parte dos carros elétricos e híbridos enquadrados no limite de R$ 150 mil estabelecido pelo governo Lula e no lançamento da iniciativa estavam com elevados estoques de veículos no Brasil.

Segundo as regras do Move Brasil, o financiamento pode cobrir até 100% do valor do automóvel, com carência de seis meses e juros limitados a 12,6% ao ano — menos da metade da taxa média praticada pelo mercado para esse tipo de operação.

Apesar de não restringir a participação a carros importados, o regulamento também não exige produção nacional. Com isso, podem ser financiados tanto veículos importados prontos quanto modelos montados no Brasil a partir de kits trazidos do exterior — os chamados CKD (completamente desmontados) e SKD (semidesmontados).

Embora os recursos sejam administrados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a aprovação do crédito depende da análise de risco feita pelas instituições financeiras credenciadas. Na prática, os bancos continuam livres para recusar propostas com base em critérios como renda, histórico financeiro e capacidade de pagamento.

VEJA TAMBÉM:

Até 100 mil empregos: Volkswagen prepara corte histórico para enfrentar ofensiva chinesa

Estoques favorecem montadoras chinesas

O lançamento do Move Brasil, anunciado pelo governo Lula em 19 de maio e com operações iniciadas em 19 de junho, coincide com um momento estratégico para as montadoras chinesas.

Antes da elevação da tarifa de importação para veículos prontos, fabricantes como BYD, GWM e Geely aceleraram os embarques ao Brasil para internalizar veículos ainda sujeitos às alíquotas menores.

Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o estoque de automóveis importados chegou a 329 mil unidades em maio. A entidade afirma que a maior parte desse volume é composta por veículos de origem chinesa.

Indústria critica falta de isonomia

A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) estima que o Move Brasil poderá acrescentar cerca de 200 mil veículos às vendas do setor em 2026. O otimismo da Fenabrave, contudo, contrasta com a preocupação de parte da indústria instalada no país.

Embora montadoras tradicionais não tenham feito críticas diretas ao programa, executivos do setor e a Anfavea defendem que políticas públicas para o segmento priorizem a produção nacional e evitem criar vantagens competitivas para veículos importados.

A preocupação da indústria foi reforçada após a Câmara de Comércio Exterior (Camex) prorrogar, no mês passado, a alíquota zero para a importação de kits CKD e SKD, limitada a US$ 463 milhões.

A medida beneficia diretamente fabricantes em processo de instalação no Brasil, como a BYD, com fábrica em Camaçari (BA). A montadora chinesa passou de 260 veículos vendidos em 2022 para 21.704 emplacamentos registrados em maio de 2026, alta superior a 5.500%. No mesmo mês, a empresa alcançou 10,11% de participação nas vendas de automóveis, tornando-se a quarta maior marca do país.

Ao mesmo tempo, veículos elétricos e híbridos passaram a representar 19,5% dos emplacamentos de automóveis leves.

VEJA TAMBÉM:

Governo prorroga incentivo fiscal que beneficia BYD e desagrada montadoras

Interesse pelo Move Brasil cresce na internet

Além dos indicadores de vendas, o comportamento dos consumidores na internet também ajuda a dimensionar a repercussão do programa.

Na escala do Google Trends, em que o índice 100 representa o maior nível de interesse registrado para um termo no período analisado, "Move Brasil" alcançou a pontuação máxima em 19 de junho, data em que o programa entrou em operação.

Na mesma data, "BYD" registrou 73 pontos, enquanto "carro elétrico" e "financiamento de veículo" marcaram 9 e 1, respectivamente. Em relação a “Move Brasil”, os três termos ficaram 27, 91 e 99 pontos abaixo no índice da ferramenta.

** Esta reportagem faz parte de uma parceria com o Google, que apoia projetos jornalísticos baseados em dados do Google Trends. A apuração é de responsabilidade exclusiva da Gazeta do Povo, sem qualquer interferência editorial do Google.

Deixe sua opinião

Encontrou algo errado na matéria?

Comunique erros

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Governo Lula transforma Itamaraty em palanque eleitoral com declaração sobre ação militar dos EUA

Projeto da oposição de controlar Senado em 2027 enfrenta crises no Rio e em São Paulo

“Mais poderosa”: qual a chance de Michelle Bolsonaro para presidente, segundo pesquisa

Moraes manda PF invadir casa de Bolsonaro e sai de mãos abanando; assista ao Gazeta Agora

Tudo sobre:

Bancos

BNDES

Carro Elétrico

Carros Elétricos

Indústria

Lula

Receba nossas notícias NO CELULAR

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Fonte: Gazeta Economia

DestaquesNo ZUG!

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Ipatinga
nuvens dispersas
28 ° C
28 °
28 °
57%
2.1m/s
40%
qui
28 °
sex
25 °
sáb
33 °
dom
30 °
seg
31 °