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Esquema de cargos em Curitiba cobrava R$ 3 mil para permanência no cargo por dois anos, aponta MP

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Por Júlia Moreira e Filipe Albuquerque

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Tribuna do Paraná

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30/06/2026 às 09:18

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A operação "Prática Corrente", deflagrada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) nesta segunda-feira (29), investiga um suposto esquema de venda de cargos comissionados na estrutura da administração pública de Curitiba. Entre os alvos da ação está o presidente da Câmara de Curitiba, vereador Tico Kuzma (PSD).

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De acordo com o Ministério Público, o esquema teria começado logo após a eleição municipal de 2024. A investigação aponta que cargos comissionados eram negociados mediante pagamento em dinheiro. Segundo as apurações, cada nomeação custaria, em média, R$ 3 mil, garantindo ao beneficiado a permanência no cargo por cerca de dois anos.

“Ao fazer essas nomeações, ele solicitava das pessoas interessadas em ocupar o cargo um determinado valor, por isso que nós chamamos de venda de cargos na estrutura do Poder Executivo. Após nomeado, haveria a contraprestação ao vereador mensalmente, que entraria nos moldes tradicionais da rachadinha”, explicou a promotora Nicole Pilagallo.

Cada nomeação custaria, em média, R$ 3 mil, garantindo ao beneficiado a permanência no cargo por cerca de dois anos, aponta investigação.

Cada nomeação custaria, em média, R$ 3 mil, garantindo ao beneficiado a permanência no cargo por cerca de dois anos, aponta investigação.

Segundo o Ministério Público, a cobrança de repasses mensais ocorreria tanto em cargos ocupados na Câmara Municipal quanto em cargos do Poder Executivo municipal. As investigações ocorrem em sigilo.

Operação cumpriu 13 mandados e apreendeu R$ 37,5 mil

As investigações tiveram início há cerca de um ano e meio, após uma denúncia encaminhada ao Ministério Público. A quantidade de cargos supostamente negociados, o montante arrecadado e a participação de outros envolvidos ainda são alvo de apuração.

Durante a operação, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e de busca pessoal na Câmara, no gabinete do presidente do Legislativo municipal, Tico Kuzma, e em endereços residenciais. Entre os materiais recolhidos estão celulares, computadores e documentos. Na casa de um dos servidores investigados, os agentes apreenderam R$ 37,5 mil em dinheiro.

Em nota, Tico Kuzma afirmou que não teve acesso formal aos fatos que motivaram a operação. O parlamentar também declarou que a proximidade do período eleitoral favorece a criação de narrativas para desgastar adversários políticos.

Quantidade de cargos supostamente negociados, montante arrecadado e participação de outros envolvidos ainda são alvo de apuração.

Quantidade de cargos supostamente negociados, montante arrecadado e participação de outros envolvidos ainda são alvo de apuração.

“Estou buscando imediatamente as informações necessárias junto às autoridades competentes para compreender com clareza o teor da investigação. Como presidente da Câmara Municipal de Curitiba, faço questão de reforçar que a instituição permanece à disposição para colaborar com tudo que for necessário, com responsabilidade, transparência e respeito às autoridades”, afirmou. Ele também se pronunciou na tribuna da Câmara.

Por sua vez, a Câmara Municipal de Curitiba informou que autorizou o acesso das equipes do Ministério Público às dependências da Casa e que permanece à disposição para colaborar com as investigações. “A instituição prestará os devidos esclarecimentos à população e à imprensa, com transparência e responsabilidade”, diz o comunicado.

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Kuzma reage e cita ataques em ano eleitoral

Em pronunciamento no início da sessão plenária desta segunda-feira (29), Kuzma afirmou que em ano eleitoral surgem “narrativas para atingir reputações e desgastar adversários” pela imprensa e via redes sociais. Kuzma é pré-candidato a deputado estadual nas eleições deste ano.

“Quem vive a vida pública sabe que, especialmente quando se aproxima um período eleitoral, infelizmente surgem pessoas de má-fé, criando fatos e narrativas para atingir reputações e desgastar adversários por meio de redes sociais e também da imprensa”, disse.

Kuzma afirmou ainda não ter sido comunicado formalmente sobre as razões que levaram à operação. “Neste momento, ainda não tenho conhecimento formal sobre os fatos que motivaram a medida. Estou buscando imediatamente as informações necessárias junto às autoridades competentes para compreender com clareza o teor da investigação”, declarou.

Presidente da Câmara diz que vai colaborar com investigação

Antes do pronunciamento, o presidente leu um comunicado institucional da casa em que informa que o Legislativo autorizou o acesso ao gabinete “em atendimento à solicitação da autoridade competente”, e reforçou que está “à disposição para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos necessários”.

“Como presidente da Câmara Municipal de Curitiba, faço questão de reforçar que a instituição permanece à disposição para colaborar com tudo que for necessário, com responsabilidade, transparência e respeito às autoridades”, afirmou. Kuzma acrescentou que os esclarecimentos serão prestados à imprensa, população e vereadores assim que houver conhecimento dos fatos.

Ele disse ainda ter pressa em conhecer oficialmente o teor da investigação para enfrentar o que chamou de tentativa de desgaste político. “É justamente por isso que tenho pressa em conhecer oficialmente todos os fatos e faço questão de manter uma linha direta, transparente e respeitosa com a imprensa e com a população”, declarou.

Kuzma declarou ainda que sua postura será de “absoluta tranquilidade, colaboração e compromisso com a verdade”. Após o pronunciamento, seguiu com a ordem do dia da sessão plenária.

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Fonte: Gazeta Brasil

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