Contexto do Acordo
Fontes israelenses informaram ao portal americano Axios que o governo de Israel, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, teme que os acordos entre os Estados Unidos e o regime islâmico do Irã possam fortalecer a influência iraniana no Líbano e beneficiar o grupo terrorista Hezbollah.
Preocupações de Israel
Segundo o Axios, autoridades israelenses avaliam que Washington estaria, na prática, legitimando parte da presença política do Irã no Líbano ao incluir o país nas negociações com Teerã. Isso pode reduzir a liberdade de ação militar de Israel contra o Hezbollah em território libanês.
O memorando de entendimento assinado entre EUA e Irã prevê que os dois países e seus aliados encerrem hostilidades, inclusive no Líbano, e respeitem a integridade territorial libanesa. No entanto, tropas israelenses ainda permanecem em uma zona de segurança no sul do Líbano para combater os terroristas aliados do Irã.
Negociações e Mecanismos de Coordenação
Autoridades israelenses temem que as negociações em curso gerem um acordo que enfraqueça meses de esforços tanto de Israel quanto dos Estados Unidos para reduzir o poder do Hezbollah e conter a influência de Teerã no Líbano.
Os EUA e o Irã concordaram em criar um novo mecanismo de coordenação para evitar novos confrontos no Líbano, envolvendo Estados Unidos, Irã, Líbano, Paquistão e Catar, mas não incluindo Israel como participante direto.
Segundo fontes israelenses, esse arranjo preocupa Israel porque pode reduzir a liberdade de ação militar do país contra o Hezbollah. No mecanismo anterior, firmado em 2024 com o governo de Joe Biden e mantido pelo governo Trump, Israel preservava o direito de agir contra ameaças imediatas e também contra ameaças em formação do grupo terrorista.
Conflito no Líbano
A atuação militar de Israel no sul do Líbano está ligada à escalada iniciada em outubro de 2023, quando o Hezbollah passou a lançar foguetes, drones e outros ataques contra o norte de Israel em apoio ao grupo terrorista Hamas após os ataques terroristas de 7 de outubro. Desde então, os confrontos na fronteira evoluíram para uma guerra mais ampla entre Israel e o grupo apoiado pelo Irã.
Durante o atual conflito, Israel avançou pelo sul do Líbano e estabeleceu uma zona de segurança de aproximadamente 5 a 10 quilômetros dentro do território libanês. Segundo o governo Netanyahu, a medida tem o objetivo de impedir novos ataques do Hezbollah, evitar o rearmamento do grupo e proteger comunidades israelenses próximas à fronteira.
Fonte: Gazeta Mundo


