Aumento de Custos no Mercado Imobiliário
A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais no Brasil pode levar a um aumento nos custos do mercado imobiliário. De acordo com um levantamento conjunto da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o custo total dos empreendimentos imobiliários pode subir entre 5% e 11%, dependendo do modelo de implementação adotado.
Impacto nos Projetos Imobiliários
O setor imobiliário já opera em um cenário desafiador, com taxas de juros elevadas, inflação setorial persistente e escassez de mão de obra. A redução da jornada de trabalho pode aumentar os custos de construção, o que afetaria diretamente as margens operacionais das incorporadoras, especialmente nos projetos já comercializados.
Segmento Econômico: O Mais Vulnerável
O segmento econômico, particularmente o programa Minha Casa Minha Vida, é o mais vulnerável ao aumento de custos. Como esses imóveis são comercializados com valores previamente pactuados e dependem dos tetos e regras de financiamento da Caixa Econômica Federal, a inflação de custos impacta severamente a rentabilidade dos projetos. Estimativas da Abrainc e CBIC apontam que o impacto pode alcançar 10% no custo consolidado das unidades populares.
Desafios para o Setor
O cenário adiciona pressão a um panorama que já operava sob estresse. O componente de mão de obra do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumula alta de 8,9% nos últimos 12 meses, superando o índice de materiais de construção. Além disso, o setor enfrenta um persistente apagão de mão de obra qualificada, o que limita ganhos orgânicos de eficiência.
Segundo estimativas da CBIC, seriam necessários cerca de 288 mil novos trabalhadores para sustentar os patamares atuais de produtividade na construção de imóveis caso a jornada seja reduzida. Isso destaca a necessidade de reavaliar os modelos de viabilidade, demanda por capital de giro e arquitetura operacional dos projetos.
Fonte: Gazeta Economia


