Políticas de segurança de Bukele
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, completou dois anos de seu segundo mandato consecutivo em junho. Bukele mantém alta popularidade baseada em suas políticas de segurança que renderam uma queda drástica no número de homicídios no país centro-americano e chamaram a atenção do mundo, especialmente de governos de direita.
Após o combate às gangues, que controlavam diversas regiões de El Salvador e impunham de fato as regras para a população baseadas na violência, o governante anunciou que dará prioridades a uma nova frente de ‘guerra’: a corrupção.
Combate à corrupção
“Há roubos, contrabando, sonegação fiscal, corrupção. Há fraudes, poluição ambiental, por parte de pessoas e por parte de empresas, e isso nós não erradicamos. Esse será o próximo passo”, declarou o presidente em um discurso na inauguração da sede da Procuradoria-Geral de San Salvador, no final do mês de maio.
A política de tolerância zero às chamadas Maras, organizações criminosas que controlavam cerca de 80% do território salvadorenho, foi o que popularizou o governo de Bukele. Em 2022, ele criou o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), considerado o maior presídio das Américas, que possui capacidade para receber até 40 mil detentos e é especializado em receber membros de gangues.
Recepção internacional
As políticas linha-dura de Bukele contra o crime organizado e a corrupção lhe renderam amplo apoio internacional, incluindo do presidente dos EUA, Donald Trump, que chegou a receber o governante salvadorenho na Casa Branca. Líderes da América Latina, como o argentino Javier Milei e o equatoriano Daniel Noboa, chegaram a se inspirar no ‘método Bukele’ para criar suas políticas de segurança nacionais após os bons resultados do país.
Contudo, as denúncias de violações por parte de organizações de direitos humanos também cresceram nos últimos anos. Em 2021, o governo de El Salvador expulsou a Comissão Internacional Contra a Impunidade, um órgão criado a partir de um acordo com a Organização dos Estados Americanos (OEA) para investigar redes de corrupção no país, por divergências políticas.
Modelo Bukele no Brasil
A crescente insatisfação popular com a segurança pública no Brasil levou políticos de direita a se inspirarem no modelo de combate ao crime de El Salvador.
Algumas figuras de destaque no cenário atual são os pré-candidatos à Presidência da República Romeu Zema (Novo-MG) e Renan Santos (Partido Missão), que tornaram-se entusiastas do modelo Bukele. No entanto, as diferenças entre os dois países podem dificultar a aplicação de uma política como a do país centro-americano no território brasileiro.
Para Frederico Dias, professor de relações internacionais do Ibmec Brasília, a ideia de que o ‘modelo Bukele’ poderia ser facilmente replicado no país ignora a complexidade do Brasil.
“O sucesso aparente de Bukele em El Salvador não é fruto de uma genialidade administrativa replicável, mas sim da exploração de um contexto muito específico: uma extensão territorial comparável ao estado de Sergipe e uma população de pouco mais de 6 milhões de habitantes e um Estado de exceção permanente: a suspensão de garantias constitucionais permitiu o encarceramento em massa de mais de 80 mil pessoas (cerca de 2% da população adulta) sem o devido processo legal”, pontuou à Gazeta do Povo.
Fonte: Gazeta Mundo


