Crise no Chavismo
Cinco meses após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, o chavismo enfrenta uma crise interna. A turbulência atual tem sido alimentada por críticas de representantes do movimento contra a líder interina Delcy Rodríguez, que vem sendo acusada por essas figuras de ceder demais diante da pressão constante de Washington.
O Exercício Militar
No último dia 23 de maio, forças americanas realizaram em Caracas um amplo exercício militar que incluiu o sobrevoo da capital venezuelana por duas aeronaves MV-22 Osprey do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos e o pouso delas na sede da embaixada americana. O exercício foi autorizado pelo regime interino de Delcy, mas foi fortemente criticado pela base chavista, que chegou a realizar protestos contra a atividade.
Aproximação de Delcy com os EUA Irrita os Chavistas
Desde que assumiu como líder interina, Delcy Rodríguez viabilizou algumas mudanças na Venezuela. Ela reabriu a indústria petrolífera para o capital privado, com receitas sendo supervisionadas pelo governo do presidente Donald Trump, reatou laços da Venezuela com o Fundo Monetário Internacional (FMI), promulgou uma anistia que libertou parte dos presos políticos e entregou aos Estados Unidos, em maio, o empresário Alex Saab, aliado próximo de Maduro, que agora responde em território americano a investigações criminais.
Janela para a Oposição
É justamente essa perda de coesão dentro do chavismo que pode abrir uma rara oportunidade para a oposição venezuelana pressionar ainda mais por mudanças concretas no país. A líder opositora María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, tem classificado o regime interino de Delcy Rodríguez como “insustentável” e se colocado como a principal interlocutora da oposição nas negociações por uma transição democrática na Venezuela.
Divisão no Chavismo Eleva Risco de Rebelião
Para Marco Aurelio da Silva, professor de Comércio Exterior do Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG), o “racha” no chavismo também eleva o risco de reação interna contra Delcy, especialmente entre grupos que enriqueceram sob o regime de Maduro e podem se sentir ameaçados pelas concessões feitas pela líder interina a Washington.
Fonte: Gazeta Mundo


