Introdução
A China, um dos principais destinos das exportações brasileiras, anunciou uma mudança em seu modelo econômico que inclui a redução das importações de alimentos em busca da autossuficiência. Essa nova estratégia representa um risco estrutural relevante para o Brasil, que exportou US$ 55,3 bilhões em produtos para o mercado chinês no ano passado, o equivalente a 32,7% de todas as vendas externas do país.
Dependência do mercado chinês
A China é o principal destino dos produtos brasileiros, absorvendo 71% de toda a soja exportada pelo Brasil e mais da metade da carne bovina nacional vendida ao exterior, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A parceria comercial entre os dois países se alinhava à estratégia econômica da ditadura de Xi Jinping prevista no 14º Plano Quinquenal (2021-2025), que estabelecia a garantia da segurança alimentar básica e a abertura a novos mercados.
15º Plano Quinquenal
O 15º Plano Quinquenal (2026-2030), aprovado em outubro passado, reflete uma visão mais pessimista de Pequim em relação ao cenário internacional, considerado instável e suscetível a interrupções comerciais. A resposta estratégica do país foca o fortalecimento da segurança nacional e a estabilização de suas fronteiras e de sua economia. Como consequência, a segurança alimentar foi elevada à condição de prioridade de Estado para o horizonte de 2035.
Impacto no agro brasileiro
A nova estratégia marca o encerramento de um ciclo de crescimento virtualmente ilimitado das importações agropecuárias por parte de Pequim. O deslocamento do foco para segurança alimentar, resiliência nacional e autossuficiência biotecnológica limitará gradualmente as exportações brasileiras de commodities. Novas barreiras regulatórias e fitossanitárias, além de cotas de importação, já sinalizam o início dessa desaceleração.
Restrições ao comércio
Em março, cerca de 2,5 mil caminhões de soja que seguiriam para a China foram barrados no Porto de Paranaguá (PR) devido à presença de sementes de plantas daninhas quarentenárias nas cargas. Embora o Brasil tenha negociado uma flexibilização temporária com Pequim para permitir a liberação das cargas, o episódio destacou a vulnerabilidade do escoamento a restrições técnicas.
Previsões e consequências
O relatório China’s Food Future, elaborado pela Systemiq e pela Gordon and Betty Moore Foundation, aponta que a adoção de metas de autossuficiência pelo país asiático pode reduzir suas importações globais de soja em até 23,5 milhões de toneladas — uma queda de 25% em relação aos níveis atuais. Até 2030, as projeções do relatório indicam que as vendas do Brasil para a China podem cair entre 10 milhões e 20 milhões de toneladas de soja por ano.
Ações para a resiliência do setor brasileiro
O relatório da Systemiq também destaca algumas ações consideradas essenciais para a resiliência do setor brasileiro no longo prazo diante desse novo contexto. Uma delas é reduzir a dependência de um único destino comercial por meio da busca por novos mercados de maior valor agregado e da ativação de acordos estratégicos. Outra medida essencial listada no relatório é investir na industrialização local para agregar valor às matérias-primas e posicionar o Brasil como fornecedor de insumos para novas indústrias.
Fonte: Gazeta Economia
Fonte: Gazeta Economia


