Medida dos EUA contra facções criminosas
A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode forçar o mercado brasileiro a tomar medidas efetivas contra a lavagem de dinheiro, segundo analistas.
A medida, que entra em vigor em 5 de junho, amplia o alcance de sanções financeiras e permite que autoridades americanas adotem medidas contra pessoas e empresas que mantenham vínculos com as facções.
Impacto no mercado brasileiro
Investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público apontam que grupos criminosos têm utilizado empresas de fachada e negócios legítimos para lavar dinheiro oriundo do tráfico de drogas, contrabando, venda de ‘proteção’ e serviços, além de outras atividades ilegais.
Segundo o analista de riscos Nelson Ricardo Fernandes Silva, a medida dos EUA é positiva no geral, pois pode forçar as instituições do Estado a tomar medidas mais efetivas contra a lavagem de dinheiro.
Setores mais afetados
Entre os setores mais frequentemente citados em operações policiais estão transporte de passageiros, combustíveis, logística, construção civil e serviços financeiros.
Um estudo de 2025 do think tank Fórum Brasileiro de Segurança Pública estimou que o crime organizado injetou cerca de R$ 348 bilhões na economia formal, por meio de lavagem de dinheiro, entre os anos de 2022 e 2024.
Consequências para as empresas
A medida deve levar empresas e instituições financeiras a reforçarem seus programas de compliance, pois a legislação antiterrorismo dos EUA possui alcance extraterritorial e prevê responsabilização por apoio material a organizações classificadas como terroristas.
Segundo o advogado Fernando Pinheiro, a medida aumenta significativamente a pressão para que o Brasil endureça sua legislação e eleve os padrões de compliance empresarial.
Fonte: Gazeta Política


