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Eduardo diz ter pedido a Trump volta de Moraes à Magnitsky e cita Zelle como “Pix dos EUA”

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Alexandre Garcia

Por Camila Abrão

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03/06/2026 às 22:59

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Atualizado em03/06/2026 às 23:08

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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nesta quarta-feira (3) que pediu pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a retomada da sanção pela Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.

Eduardo negou que ele e seu irmão, o pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), tenham pedido ao governo americano a adoção de um novo tarifaço contra o Brasil.

“A gente acredita que punições individuais contra pessoas que estão se comportando como tiranos são válidas e sempre buscamos, como a Lei Magnitsky, que eu particularmente, não falo pelo Flávio, pedi o retorno delas contra o Moraes e sua esposa”, disse o ex-parlamentar, em entrevista ao canal TCM News.

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Moraes e Viviane foram incluídos na Lei Magnitsky no final de julho de 2025 e removidos em dezembro de 2025. A Primeira Turma do STF marcou o próximo dia 16 o julgamento de Eduardo por suposto crime de coação no curso do processo.

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), ele articulou junto a autoridades dos EUA sanções ao Brasil e a ministros da Corte, com o objetivo de garantir a "impunidade" de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Flávio, Eduardo e o jornalista Paulo Figueiredo se reuniram com Trump, com o Secretário de Estado, Marco Rubio, na semana passada. Dois dias depois do encontro, os EUA classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como terroristas.

Flávio admitiu ter pedido a mudança na classificação das facções brasileiras. O governo Lula (PT) avalia que a alteração pode abrir brecha para intervenção externa no país. Nesta segunda (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), recomendou a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos do Brasil.

"Fator Flávio"

O governo Trump citou como justificativa as decisões contra redes sociais americanas; a utilização do Pix, alegando que a ferramenta prejudicaria empresas de pagamentos eletrônicos dos EUA; e falta de medidas contra a corrupção e pirataria.

Eduardo disse que seu irmão foi aos Estados Unidos defender “os interesses” dos brasileiros. Segundo ele, o tarifaço só não entrou em vigor ainda graças ao “fator Flávio”.

“Qual é o fator Flávio que está impedindo neste momento a aplicação de tarifas? É que o Flávio prometeu que, se for eleito presidente, Brasil e EUA vão sentar de igual para igual à mesa e tratar de um acordo de livre comércio para beneficiar ambos os países. Assim novas tarifas não serão necessárias”, afirmou.

Eduardo sugere negociação sobre “Pix dos EUA”

Questionado se o Pix estaria ameaçado, o ex-deputado disse que o governo brasileiro tem “bons argumentos” e citou o Zelle, classificando a ferramenta como o “Pix dos EUA”. Diferentemente do Pix brasileiro, o Zelle é operado por um consórcio privado de bancos por meio da empresa Early Warning Services.

“Isso daí… Nós fizemos um pedido aos americanos para que qualquer tipo de tarifa ou retaliação nesse sentido comercial demorasse, que esperasse pelo menos até a eleição desse ano, porque se o Flávio Bolsonaro for eleito teremos outra diretriz de governo federal”, apontou.

“Agora, os EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como o Zelle. O Pix dos EUA é o Zelle. Então dá para ir para a mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, sugeriu Eduardo.

Ele afirmou que os EUA têm interesse em terras raras e em manganês. “Dá para conversar e botar na mesa isso daí e tentar segurar o ímpeto de retaliação contra qualquer meio que a gente utilize de pagamento”, disse.

“Não entendo a desconfiança”, diz Eduardo sobre relação de Flávio com Vorcaro

Durante a entrevista ao TMC, Eduardo garantiu que todo dinheiro que Flávio solicitou a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi investido no filme “Dark Horse”, que conta a trajetória de Bolsonaro.

O patrocínio de Vorcaro foi revelado pelo site The Intercept Brasil no dia 13 de maio. Segundo a publicação, o repasse seria de R$ 134 milhões, mas o banqueiro pagou cerca de R$ 61 milhões.

Após a repercussão, o senador admitiu ter feito o pedido de financiamento. Pouco depois, Flávio revelou que foi até a casa de Vorcaro, em São Paulo, um dia após o empresário deixar a prisão.

“Não entendo por qual motivo as pessoas partem da desconfiança que nós agimos de má-fé. O dinheiro foi investido no filme”, disse Eduardo. Ele comparou o valor utilizado para produzir “Dark Horse” com o filme sobre a primeira-dama dos EUA, Melania Trump.

“O orçamento não é gigantesco. Se você for ver o filme sobre a primeira-dama dos EUA, Melania Trump, custou cerca de US$ 40 milhões e o investimento do ‘Dark Horse’ não chega nem à metade disso”, apontou.

Para o ex-deputado, a relação entre seu irmão e o dono do Master é a “boia salva-vidas” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para “desgastar” a pré-campanha de Flávio.

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Fonte: Gazeta Política

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