Operação Contenção
Vinte pessoas foram presas suspeitas de lavar dinheiro do Comando Vermelho (CV) em seis estados do país. As prisões ocorreram no âmbito da Operação Contenção, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, e foram realizadas também em São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão.
Investigações
De acordo com as investigações, o grupo teria movimentado R$ 453 milhões em quatro anos por meio de empresas de reciclagem, ferros-velhos e contas usadas para ocultar recursos do tráfico. A operação foi realizada um dia depois do governo dos Estados Unidos anunciar que as facções criminosas CV e Primeiro Comando da Capital (PCC) serão classificadas como organizações terroristas.
Principais alvos
Um dos principais alvos da operação é Antônio Ilário Ferreira, conhecido como Rabicó, apontado pela polícia como um dos chefões do CV e responsável por coordenar parte das operações financeiras da organização criminosa. O traficante segue foragido, mas a mulher dele, Raquel Neves dos Santos Mendonça, foi presa durante a operação.
Estrutura do esquema
O esquema, segundo apurações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-Cap), tinha como base o Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, município da região metropolitana do Rio de Janeiro, e utilizava empresas de fachada para movimentar dinheiro do tráfico. A investigação aponta que Rabicó mantinha uma rede empresarial usada para ocultar patrimônio e movimentar valores obtidos com atividades criminosas.
A DRE afirma ter interceptado conversas entre Rabicó e o chamado “gestor financeiro” do Comando Vermelho. Segundo os investigadores, o traficante determinava pagamentos de despesas pessoais e transferências usadas para compra de drogas e armas de fogo.
Métodos de lavagem de dinheiro
As investigações também identificaram o uso de contas bancárias de passagem, depósitos fracionados em dinheiro vivo e emissão de notas fiscais falsas para tentar dar aparência legal aos recursos obtidos com o tráfico.
A investigação aponta que empresas ligadas ao setor de reciclagem e comércio de sucatas transferiam milhões de reais para contas ligadas a Rabicó e a empresas associadas ao grupo criminoso.
A polícia ainda apura indícios de receptação qualificada e compra de materiais de origem suspeita. Durante o monitoramento, agentes acompanharam áreas usadas para a queima clandestina de cabos de cobre e estabelecimentos ligados aos investigados.
Segundo a Polícia Civil, os valores movimentados pelo esquema foram identificados por meio de relatórios de inteligência financeira, análises bancárias, quebras de sigilos fiscal, telefônico e telemático e cruzamento de dados patrimoniais.
Fonte: Gazeta Brasil


