Classificação de facções como terroristas
A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais representa uma derrota política e diplomática para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e um trunfo eleitoral para o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Reações ao anúncio
O anúncio da medida, publicado pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, ocorre um dia após uma reunião entre ele e Flávio Bolsonaro na Casa Branca. Flávio defende essa classificação ao menos desde o ano passado, quando o governo Lula intensificou contatos com o governo americano para evitar a medida.
Flávio comemorou a decisão e tentou colher dividendos eleitorais com a medida. “Em uma viagem como pré-candidato, nós fizemos mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros do que o PT e Lula em seus 17 anos de mandato. Enquanto Lula foi de joelhos atrás do Trump fazer lobby a favor de CV e PCC, eu fui trabalhar para que eles fossem tratados como terroristas, que é o que eles são”, afirmou.
Análise da decisão
Para o professor de Relações Internacionais Gunther Rudzit, da ESPM, a decisão do governo americano é uma derrota política e diplomática para Lula não apenas por contrariar um pedido do governo brasileiro. “Dependendo de como o governo brasileiro reagir, pode ser usado como estar defendendo o crime”, diz.
O professor de Relações Internacionais da FGV Oliver Stuenkel publicou que a decisão dos EUA “tem implicações potencialmente grandes para a relação bilateral”. “A curto prazo, é uma vitória para Flávio Bolsonaro, que recentemente pediu a Trump para classificar ambos os grupos como tal”, escreveu.
Para o professor de Direito Penal Internacional Vladimir Aras, a decisão reflete a expansão internacional do PCC e CV. Nas redes, ele detalhou novas obrigações para empresas e bancos que eventualmente tenham vínculo com integrantes das facções.
Fonte: Gazeta Mundo


