A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) está prestes a realizar novas consagrações episcopais sem o mandato papal, o que pode levar a uma ruptura formal com a Igreja Católica. Essa decisão é vista como um ato cismático que pode resultar em excomunhão automática.
Contexto Histórico
A FSSPX foi fundada em 1970 pelo arcebispo Marcel Lefebvre como uma sociedade sacerdotal de direito diocesano. No entanto, as primeiras fissuras no relacionamento com a Igreja Católica surgiram em 1974, quando Lefebvre expressou publicamente sua rejeição a vários ensinamentos do Concílio Vaticano II.
Desacordo sobre a Dignitatis Humanae
O documento Dignitatis Humanae, promulgado em 1965, é apontado como um dos principais obstáculos para os lefebvristas. Segundo o sociólogo italiano Massimo Introvigne, Lefebvre acreditava que apenas a Igreja Católica deveria ter garantido o direito à liberdade religiosa, enquanto outras religiões poderiam ser toleradas.
Ruptura Formal
Em 1988, Lefebvre consagrou quatro bispos sem o mandato pontifício, desafiando a autoridade do papa João Paulo II. Essa ação resultou em excomunhão automática e uma declaração formal de cisma pela Congregação para os Bispos.
Tentativas de Reaproximação
Nos anos subsequentes, houve tentativas de reaproximação entre a FSSPX e a Igreja Católica. Em 2007, o papa Bento XVI promulgou o motu proprio Summorum Pontificum, que reconheceu a legitimidade do uso do Missal de 1962. Em 2009, a excomunhão incorrida pela ofensa específica de ordenação episcopal sem mandato pontifício foi suspensa.
Situação Atual
A FSSPX, sob a liderança do sacerdote italiano Davide Pagliarani, anunciou novas consagrações episcopais para 1º de julho de 2026. O cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, reiterou que essas ordenações episcopais constituirão um ato cismático se ocorrerem sem o mandato pontifício necessário.
Fonte: Gazeta Mundo


