Posição do governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu levar em conta as características específicas de cada setor na discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Essa declaração foi feita durante o Encontro Internacional da Indústria da Construção (EBIC), em São Paulo, onde Lula destacou a importância de respeitar a realidade de cada categoria, profissão e setor econômico.
“A jornada de trabalho vai ser aplicada levando em conta a especificidade de cada categoria. Ninguém vai impor isso na marra. É preciso respeitar a realidade de cada categoria, de cada profissão, de cada setor econômico, para fazer as coisas resultarem no benefício que nós queremos para a sociedade brasileira”, disse Lula.
Repercussões no setor da construção civil
Lula também fez um aceno específico ao setor da construção civil, destacando os recordes nas concessões de crédito imobiliário e pedindo que os empresários do setor “não se assustem” com a redução da jornada de trabalho. Ele cobrou a Caixa pela burocracia no acesso a financiamentos, sugerindo que a burocracia é um dos principais obstáculos para a adesão ao empréstimo.
Discursos contraditórios dentro do governo
Enquanto Lula busca acalmar o setor produtivo, seu ministro da secretaria-geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, tem adotado uma postura mais dura, afirmando que a discussão por uma compensação das empresas pela redução da jornada de trabalho não seria “razoável”. Essa posição de Boulos contrasta com a do presidente e pode indicar divergências dentro do governo sobre como abordar a questão.
Tramitação no Congresso Nacional
No Congresso Nacional, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com a escala 6×1 está em tramitação. O presidente da Câmara, Hugo Motta, é favorável à medida e pretende aplicá-la ainda no primeiro semestre do ano. A oposição, por sua vez, é crítica à proposta, com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defendendo que a discussão deve ser feita com a garantia de não reduzir o poder de compra do trabalhador.
Fonte: Gazeta Economia


