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Quem foram os parlamentares que mais se destacaram na oposição e agora buscam reeleição

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A atuação em pautas de forte apelo à direita — como a CPMI do INSS e o embate em torno do chamado PL da Anistia e da Lei da Dosimetria — consolidou alguns parlamentares como os principais rostos da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso. Agora, parte desses deputados e senadores tenta transformar a visibilidade conquistada nos últimos meses em capital eleitoral para buscar a reeleição ou eleição em outros cargos.

Nomes ligados ao PL, ao Novo e parlamentares de direita abrigados em partidos do Centrão passaram a ocupar espaço frequente nas redes sociais, em sessões de comissões e nos confrontos com governistas e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em comum, esses parlamentares apostaram em agendas que mobilizam a base conservadora, como críticas ao Supremo, defesa da anistia e da revisão das penas dos condenados do 8 de janeiro e denúncias de irregularidades envolvendo o INSS. 

Nos bastidores do Congresso, a avaliação é de que esses temas têm ajudado a reorganizar a direita no Brasil, influenciando também a criação e manutenção de grupos da sociedade civil em torno de pautas em comum.  

Outros nomes da oposição no Congresso não foram citados nesta lista porque seus mandatos no Senado seguem até 2031 e eles não indicaram que serão candidatos a outros cargos nas eleições de 2026.

Confira a seguir os nomes, em ordem alfabética, e principais atuações nos temas relacionados:

Deputada Adriana Ventura (Novo-SP)

Atuou como titular na CPMI e participou da sustentação política do relatório oposicionista. Foi autora de uma série de requerimentos de convocação, como o de Antônio Carlos Camilo Antunes, o careca do INSS. Também pediu diversas quebras de sigilo, dentre as quais a do filho do presidente Lula, Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Com a prorrogação da CPMI barrada, ela denunciou a blindagem e a omissão durante os trabalhos, mesmo com provas. Defendeu a anistia e denunciou a “desproporcionalidade” das penas aplicadas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. 

É administradora e professora de gestão e empreendedorismo. Foi eleita deputada federal pela primeira vez em 2019 e deve concorrer ao terceiro mandato nas eleições de 2026. 

Deputado Alfredo Gaspar (PL-AL)

O parlamentar se destacou como relator da CPMI do INSS. Seu relatório revelou um núcleo criminoso de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 39 bilhões. O parecer dele pediu indiciamento de 216 pessoas envolvidas no escândalo e a prisão preventiva de Lulinha, mas foi rejeitado pela maioria governista da comissão. 

Gaspar foi promotor de justiça e secretário de Segurança Pública de Alagoas antes de assumir seu primeiro mandato como deputado federal em 2023. Ele é pré-candidato ao Senado. 

Deputada Bia Kicis (PL-DF)

Como presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) encaminhou os primeiros pedidos de investigação sobre os descontos irregulares feitos em benefícios e aposentadorias. É voz ativa na defesa pela anistia desde a aprovação em comissão da primeira proposta em 2024.

Foi subprocuradora-geral do Distrito Federal. Sua trajetória de ativismo pré-parlamentar envolveu forte engajamento digital e jurídico focado em combate ao ativismo judicial, defesa de valores liberais na economia e conservadores nos costumes, além de mobilizações de rua, especialmente durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. 

Foi a primeira mulher a assumir a presidência da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), a mais importante da Câmara.

Está em seu segundo mandato como deputada e agora é pré-candidata ao Senado. "Uma das minhas pautas principais será a de buscar o equilíbrio entre os Poderes, que é algo que, como deputada federal, tenho lutado nos últimos dois mandatos. Além disso, entendo a importância de votarmos no impeachment de ministros do Supremo que têm extrapolado seus deveres constitucionais em prol de seus interesses pessoais", afirmou Kicis à Gazeta do Povo. 

Deputada Caroline De Toni (PL-SC)

Enquanto presidente, foi responsável por pautar e articular a aprovação da proposta de lei da anistia na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania em 2024. Também pautou e articulou a votação de propostas de emenda à Constituição que preveem o reequilíbrio entre os poderes, como o fim das decisões monocráticas no STF.

Atuou como líder da minoria em 2025, propondo convocações e requerimentos e denunciando uma série de suspeitas de fraudes relacionadas ao INSS e ao governo Lula. Chegou a ceder o cargo de liderança para permitir que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro mantivesse seu mandato, mas a iniciativa foi barrada na Câmara.

Ela é contra cotas de gênero em eleições, Movimento dos Sem Terra, aborto, ideologia de gênero, descriminalização das drogas. Defende valores conservadores nos costumes e é liberal na economia.

Advogada e mestre em Direito Público, ela foi responsável por pedidos de impeachment de ministros do STF mesmo antes de assumir o cargo de deputada federal pela primeira vez. De Toni é deputada de segundo mandato e pré-candidata ao Senado. 

Deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO)

Foi o autor do primeiro pedido de abertura de CPI do INSS. Enquanto membro da CPMI, protagonizou embates com governistas. Um deles ocorreu em outubro de 2025, enquanto Chrisóstomo discursava e acusava o PT de envolvimento direto no esquema de fraudes em aposentadorias e pensões. Ele foi interrompido pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), com quem passou a trocar acusações.

Filho de indígena tukano, Chrisóstomo nasceu em Tefé, no Amazonas. Estudou no Colégio Militar de Manaus, tendo entrado na Academia Militar das Agulhas Negras em 1980 e concluído o curso em 1984, formando-se na Arma de Engenharia.

É um grande crítico dos ministros da Suprema Corte e do governo do presidente Lula. Está em seu segundo mandato consecutivo e é pré-candidato novamente ao cargo de deputado federal.

Ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP)

Ao se autoexilar nos EUA em março de 2025, Eduardo Bolsonaro fez um movimento ousado para expor a perseguição política do Judiciário sofrida por ele, pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e por aliados. Ele relacionou a pauta às tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e à disputa política de 2026. 

Eduardo afirmou que apenas uma “anistia ampla, geral e irrestrita” poderia abrir espaço para negociação do chamado “tarifaço” anunciado pelo presidente Donald Trump. Segundo ele, sem a medida, o Brasil corre o risco de se tornar uma “Brazuela”. 

Ele também reagiu a propostas que preveem a anistia sem incluir Jair Bolsonaro. Eduardo afirmou que qualquer proposta que deixe o ex-presidente de fora “não seria aceita” pela direita. 

Além disso, passou a apresentar a anistia como resposta às decisões do ministro Alexandre de Moraes, dizendo que ela seria o “único remédio” para a crise institucional. 

Antes de se mudar para os EUA, Eduardo era cotada como possível pré-candidato ao Senado. A reportagem não conseguiu confirmar quais são as pretensões eleitorais de Eduardo para o pleito de 2026. 

Senador Eduardo Girão (Novo-CE)

Integrante da ala mais combativa do Senado, Girão participou da articulação da oposição na CPMI. Em diversas oportunidades acusou o governo de blindar figuras influentes e banqueiros envolvidos em desvios bilionários que prejudicaram aposentados e pensionistas.

Tanto em sessões de plenário cheias quanto vazias foi a voz solitária de oposição ao presidente Davi Alcolumbre (União-AP). Neste ano, confrontou o presidente da Casa e o acusou de omissão no escândalo do Master.

Atuou diretamente na defesa da anistia e na votação do PL da Dosimetria. O senador também intensificou críticas ao Supremo em pronunciamentos e redes sociais. Girão é pré-candidato ao Governo do Ceará em 2026. 

Deputado Evair Vieira de Mello (Republicanos-ES)

Denunciou casos de suspeita de descontos irregulares em aposentadorias antes mesmo das investigações da Polícia Federal. Ele afirma ter alertado o ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, e órgãos de controle sobre as irregularidades desde março de 2023, alegando que houve prevaricação ao não conter o problema prontamente.

Foi um dos mais combativos parlamentares da CPMI do INSS e denunciou o fato de instituições que possuem vínculos com partidos da base aliada do governo terem sido poupadas. 

É coautor de um dos projetos de lei de anistia. “Esse projeto busca corrigir a injustiça do cerceamento de liberdades constitucionais, principalmente a liberdade de expressão”, afirma o deputado. 

É técnico em agronomia e agrimensura. Está em seu terceiro mandato como deputado federal e agora é pré-candidato ao Senado.

Deputada Coronel Fernanda (PL-MT)

Junto da senadora Damares, foi responsável pelo requerimento que viabilizou a instalação da CPMI do INSS. Durante os trabalhos da comissão, manteve a postura alinhada ao núcleo oposicionista que sustentou o relatório de Alfredo Gaspar. 

Policial militar, foi convidada pelo ex-presidente Bolsonaro a entrar na política. Entre as pautas da parlamentar estão a defesa dos produtores rurais e a segurança pública. 

Em 2020 concorreu ao cargo de senadora em eleição suplementar no estado. Foi eleita deputada federal em 2022 e em 2026 deve concorrer à reeleição. 

Deputado Filipe Barros (PL-PR)

Foi membro da CPMI dos atos de 8 de janeiro, dominada por governistas, sendo uma das poucas vozes a defender os então investigados e apontar a omissão de integrantes do governo Lula ao serem alertados para a possibilidade de manifestações.

Participou de pedidos de impeachment de ministros do STF e também defendeu a instalação da CPMI do INSS.

Em 2020 esteve entre os alvos da Operação Fake News da Polícia Federal, por ser um dos investigados no Inquérito das Fake News aberto em 2019 pelo STF para apurar supostos ataques e notícias falsas envolvendo o tribunal e seus integrantes. 

Disputou sua primeira eleição em 2016, e foi eleito vereador em Londrina. Em 2018 e 2022 se elegeu deputado federal e em 2026 é pré-candidato ao Senado.

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) 

A defesa da anistia é pauta recorrente do senador. Ele classifica as punições aos condenados pelos atos de 8 de janeiro como fruto de perseguição política promovida pelo STF.  

Participou das articulações que levaram à aprovação da Lei da Dosimetria, tratando-a como o "primeiro passo" estratégico para esvaziar as condenações. Não abandonou a proposta que prevê a anistia ampla, geral e irrestrita.  

Em dezembro de 2025, logo após ser anunciado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como o nome da família para a corrida presidencial, pediu união da direita e reforçou a mobilização pela aprovação da anistia.  

É pré-candidato à Presidência da República.

Deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB)

É presença constante na linha de frente em defesa da anistia e nas votações do PL da Dosimetria. Assumiu a liderança da oposição em 2026 e apresentou pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, em especial após a decisão do ministro de suspender a aplicação da Lei da Dosimetria. 

“Hoje, um ministro do STF atua como investigador, acusador, juiz e vítima ao mesmo tempo. Isso é uma aberração jurídica”, afirmou o deputado em entrevista à Gazeta do Povo. 

Ingressou na Polícia Militar da Paraíba com 20 anos de idade e já passou por diversos grupos policiais. Quando fez parte da Força Nacional, atuou na operação dos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro, fazendo a segurança do Complexo do Alemão. 

Foi deputado estadual antes de chegar à Câmara dos Deputados em 2023. É pré-candidato à reeleição em 2026.

Deputado Gilson Marques (Novo-SC)

Atuou ativamente na CPMI do INSS como membro suplente cobrando investigações sobre desvios bilionários. Participou da ofensiva do Novo pela ampliação e prorrogação da CPMI. Também apresentou, junto da bancada do Novo, um pacote de medidas legislativas e jurídicas para combater a corrupção no órgão, denunciando o roubo aos aposentados.

Advogado e empresário, Marques entrou para a política em 2018 e ficou conhecido por ser o único libertário do Brasil, a corrente política do presidente argentino Javier Milei.

Atualmente em seu segundo mandato como deputado federal, defende o livre mercado, a redução da intervenção estatal na economia e a ampliação das liberdades individuais. Grande conhecedor de economia e regimento do Congresso, vem dificultando a vida do PT na Câmara, fazendo críticas incômodas e travando pautas estatizantes. É pré-candidato à reeleição. 

Deputado Luciano Zucco (PL-RS)

Liderou a oposição em 2025 durante momentos de forte pressão pela votação da anistia. Também foi um dos principais articuladores pela instalação da CPMI do INSS. Ele denunciou que o governo atuava nos bastidores para barrar as investigações sobre desvios que atingem idosos.

Foi presidente da CPI do MST, onde teve que lidar com manobras do governo que tentavam barrar o avanço das investigações sobre o movimento e suas ações criminosas. É militar do Exército e passou para a reserva ao assumir o mandato de deputado estadual em 2019. É pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul. 

Deputado Luiz Lima (Novo-RJ)

Atleta olímpico da natação, Luiz Lima foi membro suplente da CPMI do INSS, onde teve atuação ativa, destacando-se por denúncias de fraudes e pela aprovação de quebras de sigilo, resultando em prisões. Em fevereiro de 2026, chegou a ser agredido fisicamente pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) durante uma sessão que aprovou requerimentos de quebra de sigilo contra investigados, entre eles, o do filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Antes de entrar para a política, Luiz Lima foi nadador, recordista brasileiro e sul-americano e chegou a conquistar medalhas de ouro e de prata nos Jogos Pan-Americanos. Ele foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2018, pelo PSL. Também passou pelo PL e desde abril de 2025 passou a integrar a bancada do Novo, onde busca reeleição.

Senador Magno Malta (PL-ES)

Um dos senadores mais ativos no discurso contra o STF. Em agosto de 2025, protagonizou um protesto no plenário do Senado em que se acorrentou à cadeira da mesa da presidência para pedir a apreciação do processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

Defende a anistia e atuou em defesa da revisão das penas do 8 de janeiro, tema central do PL da Dosimetria. Chegou a ir até a Argentina para se reunir com autoridades do país que abriga foragidos após serem investigados e condenados pelos protestos. 

Ele foi responsável por confrontar o advogado-geral da União, Jorge Messias, sobre a sua posição sobre o aborto, durante a sabatina para uma vaga no STF que acabou com a rejeição do postulante. Defendeu a criação da CPMI do INSS e pediu a prisão do ex-ministro Carlos Lupi. 

Começou sua carreira pública em 1993 como vereador. Já foi deputado estadual e federal e teve dois mandatos consecutivos como senador entre 2003 e 2019. Foi eleito novamente em 2022 e seu mandato vai até 2031, mas ele é cotado como pré-candidato a governador do Espírito Santo nas eleições de 2026. 

Deputado Marcel van Hattem (Novo-RS)

É uma voz contundente contra decisões abusivas do STF, especialmente as relacionadas aos atos de 8 de janeiro. Durante a obstrução promovida pela oposição no plenário da Câmara em agosto de 2025, para pressionar pela votação do PL da Anistia, Marcel teve atuação destacada. Acabou tendo seu mandato suspenso por dois meses acusado de não permitir que o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) retomasse seu lugar na mesa diretora. 

Ele também ganhou protagonismo na CPMI do INSS ao participar ativamente de oitivas da comissão, pressionar o governo e usar a tribuna para sustentar a narrativa de que houve tentativa de esvaziamento das investigações. 

Ocupa cargos políticos desde 2005, quando foi eleito vereador em Dois Irmãos/RS. Passou pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e agora, depois de dois mandatos como deputado federal, van Hattem é pré-candidato a uma vaga ao Senado. 

Fonte: Gazeta Política

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