Trabalhadores cristãos em risco
Trabalhadores cristãos de saneamento no Paquistão enfrentam uma crise de segurança que resultou em várias mortes recentes por inalação de gases tóxicos. O grupo Minority Concern denuncia que a discriminação sistêmica empurra essa minoria religiosa para funções de alto risco sem proteção adequada.
Denúncias de discriminação
A organização Minority Concern afirma que existe uma discriminação enraizada que direciona cristãos para trabalhos perigosos em esgotos. No Paquistão, embora os cristãos sejam apenas 1,37% da população, eles ocupam cerca de 80% das vagas de limpeza de bueiros. O grupo vincula as mortes recentes à falta de equipamentos de proteção (EPIs) e às condições insalubres impostas a esses trabalhadores devido à sua origem religiosa.
Mortes recentes
Em maio de 2026, pelo menos três trabalhadores morreram asfixiados por gases tóxicos enquanto limpavam tubulações profundas em Faisalabad e Sahiwal. Em abril, outros três falecimentos ocorreram em Karachi. Esses gases tóxicos são misturas perigosas produzidas pela decomposição de resíduos no esgoto, que podem causar desmaios e morte imediata se respiradas em locais fechados sem máscaras especiais.
Falta de equipamentos de segurança
Trabalhadores locais, como Shafiq Masih, desmentem as versões oficiais do governo. Eles relatam que os escritórios de saneamento costumam ter apenas um traje de proteção para exibição à mídia ou autoridades. Além disso, as roupas importadas não seriam adaptadas ao clima e às condições locais, por serem pesadas e impraticáveis. Diante da recusa de descer aos bueiros sem segurança, as autoridades estariam contratando diaristas sob condições ainda mais informais.
Medidas judiciais
Em dezembro de 2025, o Tribunal Superior de Islamabad proibiu o uso da frase ‘somente cristãos’ em anúncios de emprego para a área de limpeza urbana, prática que escancarava o preconceito. Além disso, a Comissão Nacional de Direitos Humanos apresentou petições para acabar com a limpeza manual de esgotos, argumentando que forçar seres humanos a entrar em ambientes tóxicos viola a dignidade humana e garantias constitucionais de segurança.
Condições de saúde
Um relatório da NCHR de 2024 mostrou que quase 80% dos trabalhadores nunca receberam equipamentos de proteção individual. Além do risco de morte súbita, mais da metade dos entrevistados relatou doenças crônicas como danos pulmonares e lesões articulares graves. A falta de proteção básica e a fiscalização fraca das leis trabalhistas tornam o ofício uma sentença de morte para a minoria cristã no país.
Fonte: Gazeta Mundo


