O choque global do petróleo
Os Estados Unidos enfrentam gasolina a US$ 4,30 por galão e preços em alta; países da Europa experimentam inflação de dois dígitos em energia por causa da explosão das cotações do petróleo e de seus derivados. O Brasil também sentiu os efeitos, mas em menor grau.
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa mais de um quinto da produção mundial de petróleo. O preço do petróleo tipo Brent disparou, chegando a US$ 120 por barril.
A blindagem brasileira criada pelo agronegócio
O Brasil sofre menos. Após o início dos conflitos, o diesel subiu 13,9% em março, aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A gasolina avançou 4,59%. O etanol teve alta de apenas 0,93%. A razão: biocombustíveis em escala nacional.
O Brasil é o único país do mundo que adota mistura de 30% de etanol anidro na gasolina (E30) — combustível sem água, usado em misturas. Veículos flexfuel, que rodam com etanol puro ou gasolina, representam 80% da frota de carros leves.
Nova expansão em análise
A mistura do etanol na gasolina pode saltar para 32%. A mudança foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no fim de abril, mas ainda depende de decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Diversificação da matriz energética
A dependência da cana-de-açúcar para etanol ficou no passado. O etanol de milho hoje representa 28% da produção nacional do biocombustível. Empresas como Caramuru Alimentos e CJ Selecta já produzem etanol a partir da soja — extraído de excedentes do melaço, etapa paralela ao esmagamento do grão.
Fonte: Gazeta Economia


