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Novo perde “puxador de voto” em Minas Gerais e procura alternativas para eleição ao Congresso

Por Marília Rodrigues

Por Marília Rodrigues

BELO HORIZONTE, especial para Gazeta do Povo

BELO HORIZONTE, especial para Gazeta do Povo

06/05/2026 às 14:48

06/05/2026 às 14:48

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A dois meses das convenções partidárias, o Novo enfrenta um desafio em Minas Gerais, estado em que a sigla elegeu o seu primeiro governador, Romeu Zema, que agora projeta a legenda com a pré-candidatura presidencial própria. A saída de políticos com potencial eleitoral — rumo a siglas como PL e Republicanos —, além da migração do próprio governador mineiro Mateus Simões para o PSD, ampliou a insegurança entre filiados e postulantes do Novo.

Um desses casos é o de Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis e irmão do senador Cleitinho (Republicanos). Desde o ano passado, o Novo trabalhava para mantê-lo no partido como candidato a deputado federal, chegando a liberá-lo para apoiar o irmão, pré-candidato ao governo de Minas. A expectativa interna era de que Gleidson alcançasse cerca de 80 mil votos.

Com a saída de Gleidson para o Republicanos, políticos mineiros que viam nele o principal “puxador” de votos passaram a questionar a viabilidade eleitoral da chapa do Novo no estado, apesar da alta influência e popularidade do ex-governador Zema. Ao mesmo tempo, aumentaram as dúvidas sobre a solidez dos acordos firmados pela direção estadual do partido.

A saída de Gleidson alimentou a leitura externa de que a chapa havia perdido força, incentivando outros pré-candidatos a migrarem para partidos como PL, Republicanos e PSD, em busca de melhores condições para financiamento das campanhas e maior competitividade eleitoral.

O Novo também perdeu nomes considerados “de meio de chapa” — candidatos com menor chance individual de eleição, mas importantes para compor uma nominata competitiva quando há um puxador forte de votos. Segundo apuração da Gazeta do Povo, os filiados estão descontentes com a centralização das decisões da liderança estadual, sem diálogo com os pré-candidatos e com apostas em acordos frágeis.

Presidente estadual do Novo, Christopher Laguna reconheceu que Gleidson era uma das principais apostas do partido para a Câmara dos Deputados. De acordo com ele, o potencial de votos do ex-prefeito poderia viabilizar até três cadeiras. Ainda assim, Laguna sustenta que a saída acabou gerando um efeito positivo entre os remanescentes.

“Isso não abalou a chapa, pelo contrário. Quando se falava em uma vaga, muitos candidatos temiam que ela já tivesse dono. Com a saída, houve uma animação geral. O pessoal de meio de chapa, que é a maioria, voltou a se engajar”, afirmou em entrevista à Gazeta do Povo.

Laguna destacou outros nomes que considera competitivos para a disputa federal, como o do vereador de Belo Horizonte Braulio Lara, reeleito em 2024 com 9.992 votos, e Márcio Bernardino, presidente da Companhia de Habitação (Cohab) de Minas Gerais. Bernardino disputou a prefeitura de Contagem em 2020 e uma vaga na Assembleia Legislativa em 2022, quando obteve 8.154 votos.

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Disputa pelo Senado pode tensionar cenário no Novo em Minas Gerais

Outro ponto de atenção é o possível impacto da candidatura ao Senado — neste ano, o eleitor vai votar em dois senadores. Um dos nomes em evidência no Novo é Marco Antônio Costa, conhecido como “Superman”, que acumula mais de um milhão de seguidores nas redes sociais. Ele se mudou para Minas em 2025 e chegou a ser especulado no PL, mas se filiou ao Novo em janeiro, inicialmente cotado para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Com perfil combativo, especialmente em críticas ao STF, Costa se apresenta como ativista e outsider (candidato de fora do meio político). Ele passou a defender o próprio nome ao Senado e chegou a anunciar a pré-candidatura pelas redes sociais no final de abril.

Costa afirmou que conta com apoio da Executiva Nacional do partido. “Sou candidato ao Senado. Alinhei tudo com a nacional, que está apostando muito em mim”, declarou à Gazeta do Povo.

Procurado pela reportagem, o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, elogiou Costa, mas evitou confirmar a pré-candidatura. “Tenho confiança no Marco Antônio e acredito que ele pode representar bem o projeto do Novo para o Senado em Minas”, respondeu Ribeiro.

Já Laguna contestou o anúncio da pré-candidatura ao Senado e disse que, até o momento, Costa segue como pré-candidato a deputado federal. “A direção nacional não nos comunicou nada diferente. O que temos é autonomia para conduzir o trabalho em Minas, e hoje a projeção é de uma candidatura à Câmara”, afirmou.

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Novo projeta até 600 mil votos em Minas para superar cláusula de barreira 

Apesar das perdas e das tensões internas, o Novo mantém a meta de alcançar entre 400 mil e 600 mil votos em Minas Gerais — desempenho considerado crucial não apenas para eleger representantes como para ajudar o partido a superar a cláusula de barreira nacional. O estado é o segundo maior colégio eleitoral do país.

Enquanto a disputa por vagas na Câmara enfrenta incertezas, a chapa para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais parece mais estruturada. Segundo Laguna, o partido deve lançar uma nominata completa, com potencial para conquistar até cinco cadeiras.

O Novo conta com cerca de 103 nomes para preencher as 78 vagas disponíveis, o que implica deixar parte dos interessados fora da disputa direta, atuando no apoio a outros candidatos. A chapa também registra participação feminina relevante, com cerca de 36% de mulheres. “Isso tem peso político e mostra um engajamento real dentro do partido”, disse Laguna.

O partido possui dois deputados estaduais — Dr. Maurício e Zé Laviola, ambos filiados em 2022 e considerados favoritos à reeleição, com forte base no interior. “Temos candidatos em todas as regiões de Minas. Ainda estamos definindo como será esse processo, porque recebemos muitos bons quadros”, afirmou.

A convenção estadual do Novo está prevista para o fim de julho, ainda sem data definida — a data-limite fixada pela legislação eleitoral é 5 de agosto, com registro das candidaturas até 15 de agosto. Antes disso, o partido realiza, no próximo dia 16, um encontro em Belo Horizonte que deve servir como termômetro para a definição das candidaturas.

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Fonte: Gazeta Brasil

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