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Qual a prioridade dos pré-candidatos ao Senado na região que centraliza debate eleitoral sobre o STF

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Por Rafael Fantin

Por Rafael Fantin

06/05/2026 às 17:18

06/05/2026 às 17:18

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Na esteira das pré-candidaturas ao Palácio do Planalto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ex-governador Romeu Zema (Novo-MG) — que defendem a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — a reforma do Judiciário tende a ocupar papel central na campanha ao Senado dos candidatos na Região Sudeste, que concentra os três maiores colégios eleitorais do país.

Alinhados aos palanques dos presidenciáveis de direita, os pré-candidatos ao Senado apontam que devem priorizar o tema durante a campanha para as eleições de outubro, quando cada estado brasileiro vai eleger dois senadores. Por outro lado, alguns pré-candidatos de partidos do centro e a maioria da esquerda evitam entrar no embate sobre o STF durante a pré-campanha.

A reportagem da Gazeta do Povo fez um levantamento sobre como o tema está sendo espontaneamente debatido neste período de pré-campanha. Além disso, todos os pré-candidatos declarados até o momento ao Senado dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo foram procurados diretamente pela Gazeta do Povo sobre a prioridade do debate sobre o tema com o eleitor.

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Como os pré-candidatos ao Senado estão se manifestando sobre a atuação do STF

A atuação dos ministros do STF ganhou tração no debate eleitoral nas últimas semanas após Zema subir o tom contra o Supremo e entrar em rota de colisão com Gilmar Mendes, alvo de sátiras ao lado dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Na escalada do embate, o decano do STF abriu a artilharia contra o pré-candidato do Novo e fez várias críticas públicas a Zema.

Antes mesmo da troca de farpas entre o ex-governador e Gilmar Mendes, os pré-candidatos ao Senado em Minas Gerais — com exceção da petista Marília Campos — davam sinais de que as críticas ao Supremo devem tomar uma boa parte do debate eleitoral na corrida pelas duas cadeiras em disputa no estado.

Ainda no âmbito da direita, a indefinição das pré-candidaturas do PL no eixo Rio-São Paulo adia a estratégia eleitoral para reforçar a campanha pelo impeachment de ministros do STF, prerrogativa do Senado que voltou ao debate após as condenações dos envolvidos nos atos cometidos em 8 de janeiro de 2023 e o escândalo do Banco Master.

No estado paulista, o nome do pré-candidato do PL foi definido apenas nesta terça-feira (5): o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado, foi o escolhido pela sigla, com apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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Posição dos pré-candidatos ao Senado por Minas Gerais sobre o STF

Ex-senador e ex-governador mineiro, o tucano Aécio Neves pode voltar a disputar o Senado pelo estado de Minas Gerais. Nos bastidores, o PT do estado não descarta uma aliança para dividir a chapa com o presidente nacional do PSDB. Procurado pela Gazeta do Povo, ele não deu retorno para se posicionar sobre a atuação do STF.

No entanto, o tucano defendeu recentemente mandatos de 10 a 12 anos para ministros do Supremo. “Acho que essa é uma sinalização adequada para restabelecer algo essencial, que é a confiança da sociedade no Poder Judiciário, principalmente na sua instância maior”, disse Neves em entrevista à coluna de Igor Gadelha do Metrópoles.

O tucano também argumentou que a idade dos indicados pelo presidente da República passou a ser outro fator de discussão, pois quanto mais novo o indicado, mais tempo o ministro permanecerá no STF. “A vitaliciedade é da natureza humana, vai distanciando, talvez, as pessoas do mundo real. […] Não estou dizendo que é a fórmula mágica, mas isso me parece algo absolutamente razoável. E ninguém vai ficar 30 anos no Supremo”, acrescentou.

Presidente da CPI do INSS, o senador Carlos Viana criticou a ingerência do STF em decisões do Congresso Nacional. “Temos assistido à invasão das prerrogativas a cada decisão monocrática que é tomada pelo Supremo Tribunal Federal. Esse é um ano difícil para discutir esse assunto, ano eleitoral em que os discursos ficam contaminados pela questão ideológica. Mas precisamos nos levantar com responsabilidade para discutir o equilíbrio entre os Poderes da República”, declarou Viana na tribuna do Senado.

Recentemente, o senador deixou o Podemos e foi para o PSD mineiro, que tem como pré-candidato o atual governador Mateus Simões, que era vice de Romeu Zema e assumiu o cargo após a saída do presidenciável. Simões deixou o Novo no ano passado em um acordo político que prevê aliança entre as siglas para assegurar o palanque a Zema no estado, condição que foi decisiva nas últimas eleições presidenciais. Assim, Viana deve apoiar o grupo político em uma aliança que terá os excessos do Supremo em debate no centro da campanha.

O deputado federal Domingos Sávio foi lançado como pré-candidato ao Senado em abril, durante um evento ao lado do parlamentar Nikolas Ferreira (PL-MG) e de Flávio Bolsonaro.

Alinhado ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro, Sávio tem acusado o STF de cometer excessos e defende a abertura dos processos de impeachment no Senado. “O eleitor está percebendo a importância de termos um Senado independente, capaz de assegurar a nossa democracia porque é justamente o Senado que garante a independência entre os Poderes, que está sendo maculado por um excesso de intervenções”, declarou.

Ex-secretário da gestão Zema, o pré-candidato ao Senado Marcelo Aro afirmou que o Poder Judiciário passou a ter mais força institucional do que o Executivo e o Legislativo. “Hoje, o Judiciário faz as vezes do Legislativo e do Executivo. Eles investigam, denunciam e julgam de maneira oposta ao que está na Constituição Federal. Aqueles que deveriam ser os guardiões estão rasgando a Constituição”, disse Aro em entrevista ao Estado de Minas.

Para ele, o Estado Democrático garante a independência entre os Poderes e o STF precisa de um “freio”. “Não de maneira estridente ou com vídeo no TikTok, mas com um debate sério. Quero defender que o Judiciário cumpra sua função no Estado Democrático de Direito e o poder capaz de colocar um freio é o Senado Federal”, completou.

Pré-candidata do PT ao Senado mineiro, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos não se manifestou recentemente sobre o tema. Além disso, a assessoria dela não respondeu ao questionamento enviado pela Gazeta do Povo até a publicação desta reportagem.  

Pré-candidato pelo Novo, Marco Antônio Costa defendeu uma reforma estrutural do Judiciário, começando pelo STF e pelas Cortes superiores. “Primeiro, temos que acabar com a proliferação de crimes flagrantes no Supremo. Todos os dias a gente vê uma corrupção moral, institucional e jurídica. A gente só vai conseguir resolver isso com a prisão dos ministros que cometeram os crimes já expostos publicamente”, opinou.

Segundo ele, o caminho institucional é o impeachment para depois buscar a responsabilização penal, civil e administrativa. “O problema se espalha para a PGR [Procuradoria-Geral da República] e outros órgãos como a AGU [Advocacia-Geral da União]. Essa sanha persecutória e de censura precisa ser extinta no Brasil e todos os seus agentes punidos, de acordo com o que estabelece a lei”, declarou em entrevista à Gazeta do Povo.

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Posição dos pré-candidatos ao Senado em São Paulo sobre o STF

Presidente da Alesp, o deputado estadual André do Prado foi confirmado como o escolhido do PL para disputar o Senado com o aval de Eduardo Bolsonaro — cogita-se a possibilidade de Eduardo ocupar a vaga de primeiro suplente na chapa paulista. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro era o principal nome para concorrer ao Senado, mas deve permanecer nos Estados Unidos.

A ala mais alinhada a Bolsonaro questionou a escolha do partido pelo fato de Prado ser mais próximo do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, além de aliado do governador Tarcísio de Freitas, que também apoia a coligação com o pré-candidato e ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP). O principal questionamento do grupo político é se Prado irá apoiar pautas como a abertura de impeachment contra ministros do STF após receber o aval de Eduardo. O deputado estadual ainda não se manifestou sobre o assunto após o anúncio.

Em entrevista ao programa Sem Rodeios, da Gazeta do Povo, o pré-candidato ao Senado Guilherme Derrite afirmou que está disposto a discutir a atuação do STF durante a campanha eleitoral. O principal tema, para ele, será a segurança pública em razão do histórico de Derrite como ex-policial militar do grupo Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e ex-secretário da Segurança Pública do governo Tarcísio.

Derrite ressaltou que qualquer candidato ao Senado deve fazer o “enfrentamento” do Supremo para equilibrar a balança da democracia brasileira. “É notório que há um avanço do Judiciário brasileiro sobre essas questões e o responsável por buscar esse equilíbrio é o Senado Federal, que não tem feito isso porque não tem quórum suficiente. Esse avanço tem prejudicado muito o nosso país e estaremos prontos para discutir os abusos e os eventuais crimes de responsabilidade praticados por ministros da Suprema Corte”, declarou.

Ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula, Marina Silva deve manter o foco nas questões ambientais e sociais durante a campanha ao Senado por São Paulo. Ela não se manifestou recentemente sobre a atuação do STF. A assessoria dela também não deu retorno ao pedido de posicionamento feito pela Gazeta do Povo.

Relator do projeto da Dosimetria, o deputado federal Paulinho da Força não tem dado declarações espontâneas sobre a possibilidade de abertura de processos contra ministros do STF. Ele é pré-candidato ao Senado e foca o discurso na derrubada dos vetos do presidente Lula ao PL da Dosimetria, que ao invés da anistia dos condenados do 8 de janeiro tem o objetivo de diminuir as penas impostas pelo Supremo. No último dia 30, o Congresso Nacional derrubou os vetos de Lula à proposta.

“Na medida em que todas as pessoas presas saírem da cadeia, menos os sete considerados mandantes, teremos o distensionamento do país. Elas vão voltar para suas casas para conviver com as famílias e aqueles com penas maiores, como no caso do Bolsonaro, terão as penas reduzidas e os advogados poderão discutir no Supremo como eles vão cumprir o restante das penas”, disse Paulinho em entrevista à Jovem Pan.   

Alinhado à diretriz nacional do partido Novo, o pré-candidato Ricardo Salles confirmou à Gazeta do Povo que o impeachment de ministros do STF será uma das prioridades da campanha eleitoral.

“Precisamos restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e evitar a invasão de competências sobre o Legislativo e o Executivo. Além disso, o reequilíbrio federativo: os estados que mais mandam dinheiro para a União precisam receber de volta em verbas e investimentos”, disse Salles.

Ex-ministra do Planejamento do governo Lula, Simone Tebet deixou o MDB para disputar o Senado pelo PSB em São Paulo, sigla do vice-presidente Geraldo Alckmin. Tebet foi senadora pelo Mato Grosso do Sul antes de disputar a eleição presidencial de 2022.

Ela não tem se manifestado publicamente sobre a atuação do STF e a assessoria de imprensa da ex-senadora não deu retorno ao pedido da Gazeta do Povo.

Posição dos pré-candidatos ao Senado no Rio de Janeiro sobre o STF

Deputada federal e figura histórica da política fluminense, a ex-governadora petista Benedita da Silva prioriza a defesa de pautas sociais e raciais. Questionada pela Gazeta do Povo, ela não retornou sobre a atuação dos ministros do Supremo e a relevância do tema na campanha 2026.

Apesar de ter sido o autor do PL da Dosimetria, o deputado federal Marcelo Crivella tem procurado não se manifestar sobre o impeachment de ministros do STF enquanto articula a formação da chapa do Senado. Nos bastidores, a Gazeta do Povo apurou que ele pode apoiar o deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ) para o governo fluminense e receber o apoio do PL na disputa pelo Senado.

Alinhado à direita, o ex-prefeito carioca e bispo da Universal defendeu a anistia dos condenados pelo 8 de janeiro após a aprovação do projeto na Câmara. “Não é o texto que eu sonhava, não é o texto que eu escrevi, foi aquilo que se conseguiu fazer. Infelizmente, nós não conseguimos a anistia ampla, geral e irrestrita, mas estamos diminuindo o sofrimento das pessoas”, disse em dezembro do ano passado.

Por outro lado, Crivella defendeu a indicação de Jorge Messias por Lula ao STF, principalmente pelo fato dele ser evangélico. O ex-advogado-geral da União teve o nome rejeitado pelo Senado para assumir a cadeira de ministro do Supremo.

Presidente do União Brasil no Rio de Janeiro, o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella foi lançado como pré-candidato ao Senado com apoio de Flávio Bolsonaro, junto com o ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL-RJ), que formaria a chapa ao Senado ao lado dele. Castro foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e perdeu os direitos políticos para concorrer em 2026, o que ainda pode alterar a disputa pelas duas cadeiras do estado.

Canella tem priorizado a segurança pública como um dos principais temas da pré-campanha ao Senado. Procurada pela Gazeta do Povo, a assessoria do pré-candidato não respondeu sobre a relevância do debate eleitoral em relação ao STF.

Viúva de Marielle Franco, a vereadora carioca Mônica Benicio é pré-candidata ao Senado fluminense. Ela é arquiteta e urbanista, com trajetória marcada pela defesa dos direitos humanos, LGBTQIA+ e das periferias, pautas que devem ser mantidas como prioritárias na disputa ao Senado. A assessoria de imprensa da vereadora não deu retorno ao pedido de posicionamento sobre o STF.

Aliado do pré-candidato ao governo Eduardo Paes (PSD), o deputado federal Pedro Paulo é cotado ao Senado na chapa do ex-prefeito do Rio. Procurada pela Gazeta do Povo, a assessoria do parlamentar não respondeu aos questionamentos até a publicação desta reportagem.

Posição dos pré-candidatos ao Senado no Espírito Santo sobre o STF

Pré-candidato à reeleição, o senador Fabiano Contarato presidiu a CPI do Crime Organizado, que foi concluída em abril sem aprovação do relatório final. O petista criticou o STF pela ingerência nos trabalhos da comissão. No entanto, ele não concordou com os pedidos de indiciamento apresentados pela relatoria.

“O Supremo Tribunal Federal (STF) tem meu total apoio e sempre estarei defendendo [a instituição]. Mas não posso deixar de fazer as minhas críticas enquanto senador e presidente da CPI e demonstrar a minha insatisfação com relação às decisões tomadas por alguns membros do STF, quando, por exemplo, não permitem as oitivas de testemunhas”, avaliou Contarato.       

Para ele, seria preciso provar o dolo nas condutas dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para o indiciamento. “Isso é muito grave dentro da democracia. […] Se eu não provar isso, eu não posso presumir.” A Gazeta do Povo não conseguiu contato com o pré-candidato à reeleição — o espaço segue aberto para manifestação.

Filha do senador Magno Malta (PL-ES), a pré-candidata capixaba Maguinha Malta disputa uma das duas vagas ao Senado no estado e, se eleita, deve reforçar a oposição ao STF feita pelo pai. Ela confirmou que a atuação da Suprema Corte será um dos principais temas da sua campanha eleitoral.

“Esses temas terão destaque porque não vejo outro meio para restabelecermos o equilíbrio entre os Poderes no Brasil sem que façamos impeachment de ministros do STF, que vem ultrapassando e muito sua prerrogativa de guardiões da Constituição”, declarou Maguinha.

Ex-governador do Espírito Santo, o pré-candidato Paulo Hartung não se posicionou sobre o tema. Segundo a assessoria de imprensa, ele atua na iniciativa privada e também na formação de novas lideranças por meio do RenovaBR. “Os posicionamentos sobre o processo eleitoral serão feitos no momento oportuno, respeitando o calendário”, respondeu.

O ex-governador capixaba Renato Casagrande deixou o mandato no início de março para disputar uma vaga ao Senado. Aliado de Lula e Alckmin, ele não se manifestou recentemente sobre a atuação dos ministros do STF, mas no ano passado saiu em defesa de Moraes durante a crise com os Estados Unidos em decorrência do tarifaço imposto a produtos brasileiros por Donald Trump.

Casagrande afirmou que não existe motivo para afastamento de ministros do STF. “A princípio não vejo nenhuma razão para que isso [impeachment] aconteça”, declarou ao UOL. A Gazeta do Povo não conseguiu contato com Casagrande. O espaço segue aberto para a manifestação de todos os pré-candidatos procurados.

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Fonte: Gazeta Brasil

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