Introdução
O próximo presidente do Brasil herdará as contas públicas afetadas pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. A guerra trouxe um alívio temporário para o governo, mas o problema estrutural nas finanças permanece.
Impacto da guerra nas contas públicas
A Instituição Fiscal Independente (IFI) projetava um déficit primário de 0,7% do PIB para 2026, mas com a guerra, esse déficit pode cair para 0,1%. No entanto, essa melhora é ilusória, pois o alívio artificial em 2026 se tornará um problema real em 2027.
Resposta do governo
O governo respondeu à crise com subsídios e impostos de exportação para conter a alta de preços. As medidas incluem a instituição de subvenção ao diesel, limitada a R$ 10 bilhões até 31 de dezembro, e a criação de um imposto de exportação de 12% sobre o barril bruto.
Medidas compensatórias e risco jurídico
Para compensar as perdas, o governo criou um imposto de exportação de 12% sobre o barril bruto e elevou o IPI sobre cigarros. No entanto, o risco jurídico persiste, e se uma instância superior reverter a decisão, o governo perderá entre R$ 14,8 bilhões e R$ 16,5 bilhões.
2026: ilusão fiscal e volatilidade geopolítica
A melhora das contas públicas em 2026 é uma ilusão contábil. O rombo primário do governo central é projetado em 0,1% do PIB, mas essa melhora é impulsionada pela alta do petróleo e pela aceleração da inflação.
2027: efeito catraca e indexação de gastos
A armadilha se fecha em 2027 pelo ‘efeito catraca’ — gastos que sobem com a inflação, mas nunca descem. A inflação elevará o salário mínimo e, automaticamente, benefícios previdenciários, BPC, seguro-desemprego e abono salarial em 2027.
O Banco Central entre a espada e a parede
O Banco Central está entre a espada e a parede, pois o conflito é um choque de oferta que a autoridade monetária não consegue resolver apenas com política monetária. O BC precisa evitar que o aumento de custo se espalhe para outros preços da economia.
Fonte: Gazeta Economia


