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Prefeito de Ipatinga critica greve de servidores e é vaiado durante comemoração dos 62 anos da cidade

Manifestação ocorreu no Parque Ipanema; categoria cobra reajuste, pagamento de direitos pendentes e melhores condições de trabalho

O prefeito de Ipatinga, Gustavo Nunes, foi vaiado na manhã desta quarta-feira (29), durante as comemorações dos 62 anos de emancipação político-administrativa do município, realizadas no Parque Ipanema. O episódio ocorreu em meio à greve dos servidores municipais, iniciada na segunda-feira (27), e marcou mais um capítulo do impasse entre a administração municipal e a categoria.

Durante o evento, servidores em greve realizaram manifestação com faixas, apitos e palavras de ordem. Os trabalhadores cobraram avanço nas negociações da campanha salarial e apontaram pendências como férias atrasadas, rescisões não quitadas, regularização de horas extras, valorização do vale-alimentação e melhores condições de trabalho.

Em entrevista no local, Gustavo Nunes criticou a paralisação e afirmou que o movimento teria motivação política. Segundo o prefeito, a administração municipal vem mantendo diálogo com os representantes da categoria, mas não houve acordo devido a reivindicações consideradas inviáveis pelo Executivo, entre elas o aumento do vale-alimentação. Ele também informou que a prefeitura acionou a Justiça por entender que a greve apresenta irregularidades.

O prefeito declarou ainda que a proposta de reajuste salarial com base na inflação foi apresentada aos servidores, mas não foi aceita pelo sindicato. Conforme informações divulgadas anteriormente, a proposta da administração previa reajuste de 4,26%, com retroativo a janeiro parcelado em três vezes, além de vale-alimentação de R$ 450 e vale-lanche de R$ 225.

Do outro lado, representantes do Sindicato dos Servidores Municipais de Ipatinga negam que a greve tenha caráter político. A entidade afirma que o movimento é resultado da insatisfação acumulada da categoria diante de pendências administrativas e problemas estruturais nos serviços públicos. Segundo o sindicato, há relatos de falta de materiais básicos, déficit de profissionais e dificuldades em unidades de atendimento, especialmente em áreas sensíveis como saúde e assistência social.

A Justiça já estabeleceu limites para a paralisação, determinando a manutenção de 70% dos profissionais da saúde em atividade e 30% nos demais serviços essenciais. Em caso de descumprimento, há previsão de multa diária de R$ 5 mil ao sindicato. Até o momento, as informações disponíveis indicam que a decisão judicial impôs regras ao movimento, mas não declarou a greve ilegal de forma definitiva.

A categoria afirma que a mobilização segue dentro dos parâmetros legais e que os percentuais determinados estão sendo cumpridos. Já a administração municipal aguarda novo posicionamento da Justiça sobre a ação movida contra o movimento grevista.

A greve ocorre em um momento simbólico para Ipatinga, que celebrou seus 62 anos nesta quarta-feira com programação no Parque Ipanema. A festa, que contou com distribuição de bolo e atrações culturais, acabou dividindo espaço com as manifestações dos servidores, ampliando a repercussão do impasse trabalhista no município.

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