Perda do poder de compra atinge nível recorde
A percepção de perda do poder de compra dos brasileiros atingiu o pior nível desde outubro de 2025, segundo pesquisa de intenção de voto para o Palácio do Planalto realizada pela Quaest para a Genial Investimentos. Em abril, 71% dos entrevistados consideram que a situação piorou comparativamente a um ano atrás.
A sensação é maior (72%) entre quem ganha até dois salários mínimos, uma das principais bases eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É também onde ocorreu a maior alta: 13 pontos percentuais em relação a março.
Inflação de alimentos
Uma das principais causas na perda do poder aquisitivo foi a alta nos preços de alimentos e bebidas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos 12 meses encerrados em março de 2026 houve uma alta de 2,16%, revertendo sete meses de desaceleração nesta categoria.
A elevação nos preços concentrou-se nos últimos três meses, com aumento de 2,07%, ficando atrás apenas de educação (5,25%) e transportes (3%). Os produtos que mais subiram foram tomate (45,4%), feijão carioca (28,1%) e batata (14%).
Impacto na base eleitoral de Lula
A percepção de alta de preços dos alimentos nos mercados atingiu 72% em abril — o maior nível desde julho de 2025, segundo a pesquisa Quaest/Genial Investimentos. Ela cresceu com mais força entre aqueles que ganham até dois salários-mínimos, passando de 56% em dezembro para 72%.
Segundo Maria Andréia Lameiras, técnica de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a inflação em março, que foi a maior desde fevereiro de 2025, afetou desproporcionalmente as classes baixas e médias-baixas.
Consequências econômicas
O levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) sinaliza que a confiança dos consumidores se deteriora em meio a taxas historicamente baixas de desemprego: em fevereiro, a taxa foi de 5,8%, a menor para o mês desde o início das pesquisas feitas pelo IBGE, em 2012.
A contradição é política: apesar do mercado de trabalho robusto, a inflação de alimentos corrói o poder de compra das classes baixas e médias-baixas — a base eleitoral tradicional do governo Lula.
Fonte: Gazeta Economia


