Venda da Mineradora Serra Verde
A venda da mineradora brasileira Serra Verde para a americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões tem gerado grande debate no mercado e no governo. A operação envolve minerais estratégicos, como terras raras, essenciais para a fabricação de produtos de alta tecnologia, e provocou reações em Brasília e ações no Supremo Tribunal Federal (STF) devido aos riscos à soberania nacional.
O que são Terras Raras?
Terras raras são um grupo de 17 minerais fundamentais para a produção de itens como motores de carros elétricos, drones, turbinas de energia eólica e equipamentos militares avançados. A Serra Verde, localizada em Goiás, é a única mineradora fora da Ásia que produz esses elementos em escala comercial, tornando-a uma joia valiosa no mercado mundial.
Participação dos EUA
O governo americano participou ativamente desse negócio, injetando US$ 565 milhões na operação através de uma agência de fomento. Essa ação faz parte de uma estratégia maior para criar estoques de segurança e reduzir a dependência da China, que atualmente domina quase todo o refino mundial desses minerais.
Implicações para o Brasil
Especialistas alertam para o risco de ‘periferização’ do país, onde o Brasil se torna apenas um exportador de terra e minério bruto, enquanto o processamento rico e a tecnologia ficam fora do país. Sem contrapartidas que obriguem o refino e a metalurgia em solo brasileiro, o Brasil perde a chance de dominar etapas sofisticadas da produção e fica sem autonomia para definir preços no futuro.
Posicionamento do Governo Federal
Apesar de o presidente Lula ter afirmado que ‘ninguém será dono da nossa riqueza mineral’, o governo recuou da ideia de criar uma estatal para centralizar esse setor. O foco agora será um conselho ligado à Presidência para assessorar questões geopolíticas, o que gerou críticas internas na base do governo, que defende um controle estatal mais rígido sobre esses ativos.
Fonte: Gazeta Economia


