Crise no setor de ostras em Santa Catarina
Santa Catarina, responsável por quase toda a produção de moluscos do Brasil, enfrenta uma crise sem precedentes no setor de ostras devido ao aumento das temperaturas. A estimativa é de perda de cerca de 72 milhões de ostras apenas em 2026.
Causas da crise
A espécie predominante nos cultivos, a ostra do Pacífico (Crassostrea gigas), é adaptada a águas frias e tem baixa tolerância a temperaturas elevadas. No último verão, a temperatura do mar chegou a picos de 34 °C, provocando a queda na oxigenação da água e a mortalidade em massa nas fazendas marinhas.
Medidas para mitigar a crise
Diante dos prejuízos, o governo catarinense anunciou uma linha de crédito específica para o setor, com R$ 40 milhões disponibilizados, sem juros e com prazo de cinco anos para pagamento. Além disso, pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) discutem alternativas para reduzir a vulnerabilidade do setor, como o desenvolvimento do mercado de carne de ostra cozida e o investimento em linhagens mais resistentes ao calor.
Oportunidade em meio à crise
Um fenômeno chamou a atenção de produtores e pesquisadores: ostras cultivadas na baía sul de Florianópolis passaram a apresentar coloração esverdeada devido à proliferação de microalgas do grupo das diatomáceas. Essa microalga produz um pigmento azul, a marennina, que pode agregar valor nutricional às ostras. Se o cultivo controlado da microalga for viabilizado, a maricultura catarinense poderá transformar a crise em oportunidade, expandindo sua atuação para as indústrias de alimentos e farmacêutica.
Fonte: Gazeta Brasil


