NacionalComo o Brasil organiza uma das maiores procissões católicas do mundo

Como o Brasil organiza uma das maiores procissões católicas do mundo

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Por Caroline Figueiredo

Por Caroline Figueiredo

20/04/2026 às 19:11

20/04/2026 às 19:11

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Realizado todos os anos em outubro, em Belém (PA), o Círio de Nazaré mobiliza milhões de pessoas e uma estrutura que funciona de forma permanente ao longo do ano.

Considerada uma das maiores manifestações católicas do planeta, a procissão principal reuniu, em 2025, público estimado em 2,6 milhões de pessoas, segundo balanço oficial da Diretoria da Festa de Nazaré (DFN).

A abertura oficial da programação deste ano ocorre no dia 6 de outubro. O Círio — a grande procissão — será realizado no segundo domingo do mês, neste ano em 12 de outubro, e os organizadores encerram a programação com o Recírio, no dia 27 de outubro.

Ao longo de mais de duas semanas, a capital paraense vive uma intensa agenda religiosa que ocupa ruas, avenidas e praças da cidade.

Programação é gratuita, mas público pode comprar espaço em arquibancadas

A participação em toda a programação é livre e gratuita. Os organizadores fazem as romarias, missas e celebrações nas vias públicas. A única estrutura com venda de ingressos é a arquibancada montada na Avenida Presidente Vargas para a Trasladação e para o Círio.

Em 2025, segundo a Diretoria da Festa de Nazaré, a organização disponibilizou 2,5 mil lugares para os dois dias de procissão. A entidade manteve os valores em R$ 130 (setor A) e R$ 160 (setor B) para a Trasladação, e em R$ 200 (setor A) e R$ 230 (setor B) para o Círio.

As vendas iniciam em setembro e os valores podem sofrer alterações a cada edição. Para os turistas e fiéis de fora do Pará, o planejamento deve ser antecipado.

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Encerrada a programação oficial de um ano, a diretoria inicia uma fase de balanços operacionais e reuniões técnicas para definição de ajustes e diretrizes da edição seguinte. Relatórios de público, segurança, mobilidade, saúde e logística são analisados para aperfeiçoamento do planejamento.

“O Círio não é apenas um evento de um dia. É uma grande engrenagem que envolve planejamento técnico, espiritual e social. Quando encerramos uma edição, imediatamente iniciamos o processo de avaliação e organização da próxima”, afirma o coordenador do Círio 2026, Antônio Sousa.

A tradição do Círio remonta ao ano de 1700 quando, segundo a narrativa histórica preservada pela igreja, o caboclo Plácido encontrou a imagem de Nossa Senhora às margens do igarapé Murutucu. A primeira procissão oficial ocorreu em 1793, organizada pelo governo colonial e pela igreja católica.

O Círio de Nazaré é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), reconhecimento que reforça seu valor religioso, histórico e cultural.

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Procissão principal percorre 3,6 quilômetros e mobiliza milhões

A procissão principal ocorre no segundo domingo de outubro, saindo da Catedral Metropolitana de Belém até a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, em percurso de aproximadamente 3,6 quilômetros. Apesar da curta distância, o trajeto pode durar cerca de cinco horas devido à multidão que acompanha a berlinda.

“O objetivo central é a manifestação pública de fé e devoção a Nossa Senhora de Nazaré. Mas o Círio também promove união comunitária e solidariedade, ultrapassa o aspecto religioso e alcança toda a sociedade”, afirma o coordenador do evento.

No último ano, de acordo com dados da DFN, a Trasladação reuniu 2,1 milhões de pessoas. A romaria rodoviária contou com 800 mil participantes; a fluvial, 50 mil e 191 embarcações inscritas; a motorromaria, 55 mil; e a romaria das crianças, 350 mil pessoas. A imagem peregrina ampliou o alcance da festa: visitou 801 locais, incluindo 129 paróquias, 27 municípios do Pará e cinco estados brasileiros.

Corda exige esquema integrado de segurança e isolamento

Um dos maiores símbolos do Círio de Nazaré é a corda que puxa a berlinda com a imagem. O isolamento e a proteção desse elemento são definidos em reuniões integradas entre DFN, Guarda de Nazaré e órgãos de segurança pública.

“São considerados o fluxo de fiéis, o tempo estimado da procissão e os pontos de maior pressão ao longo do trajeto. Trabalhamos com corredores humanos, monitoramento constante e controle de acesso”, detalha Sousa.

O voluntariado é considerado um dos pilares do Círio de Nazaré. Segundo informações da DFN, mais de 20 mil pessoas podem atuar direta e indiretamente na organização da festividade. “Sem os voluntários, o Círio não aconteceria. Eles são o coração da festa. Temos equipes preparadas para acolhimento, logística, comunicação e ações sociais”, afirma o coordenador.

Na Casa de Plácido, espaço tradicional de acolhimento aos peregrinos, foram atendidas 27.602 pessoas em 2025. O local registrou 7.941 lava-pés, 2.140 massagens, 2.812 atendimentos de saúde e 84.915 refeições servidas. Ao longo da BR-316, Alça Viária e Estrada do Mosqueiro, 28 pontos de apoio realizaram 182 mil atendimentos, com público estimado em 50 mil peregrinos.

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Turismo religioso injeta R$ 210 milhões em Belém

O Círio de 2025 injetou R$ 210 milhões na economia da capital paraense, de acordo com cálculo da prefeitura de Belém. O impacto na economia do estado ultrapassou R$ 1,2 bilhão, conforme estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese-Pará).

Cerca de 100 mil turistas de fora do estado foram para Belém durante o período. De acordo com a Secretaria do Turismo, a permanência média foi de sete dias, com gasto médio de R$ 2 mil por visitante. Mais de 90% da rede hoteleira operou com ocupação máxima, especialmente nas áreas próximas à Basílica e ao trajeto das procissões, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih-Pará).

Os principais setores beneficiados são comércio, alimentação, transporte, serviços e economia informal. No Arraial de Nazaré, a organização comercializou 96 estandes e reuniu 123 permissionários nos segmentos de alimentação, vestuário, artigos religiosos e artesanato.

Segundo informações da prefeitura de Belém, os investimentos públicos superiores a R$ 4 milhões envolveram aportes dos governos federal, estadual e municipal, com reforço em infraestrutura, limpeza urbana, mobilidade e saúde.

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Fonte: Gazeta Brasil

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