Descoberta em cavernas profundas
Nas profundezas da Terra, 489 metros abaixo do deserto de Chihuahua, no sul do estado americano do Novo México, fica a caverna Lechuguilla, que se estende por 240 km e abriga uma assombrosa diversidade de vida microbiana.
As bactérias que vivem lá desenvolveram estratégias únicas para sobreviver, como extrair energia das rochas e da atmosfera, ou ser canibais e se alimentar de outras bactérias.
Resistência aos antibióticos
Essas bactérias também são resistentes à maioria dos antibióticos, o que é um fenômeno natural extraordinário e pode ajudar os pesquisadores a encontrar substâncias capazes de resistir ao avanço da resistência antimicrobiana na medicina moderna.
A resistência aos antimicrobianos é uma crise sanitária mundial cada vez maior, com 1,14 milhão de mortes em 2021 e uma estimativa de 39 milhões de mortes entre 2025 e 2050.
Origem da resistência
A causa da crise da resistência antimicrobiana é atribuída ao mau uso e ao consumo excessivo de antimicrobianos em seres humanos, animais e plantas, mas a descoberta de bactérias resistentes em cavernas profundas sugere que a resistência aos antimicrobianos não é um fenômeno novo e já estava integrada a muitas bactérias.
Os pesquisadores acreditam que a resistência aos antimicrobianos evoluiu antes que as bactérias ficassem capturadas na caverna, não depois, e que a competição entre as bactérias nas cavernas pode ter incentivado as bactérias a conservar e aperfeiçoar suas defesas.
Utilidade da descoberta
A descoberta das bactérias resistentes em cavernas profundas pode ser útil para desenvolver novos tratamentos contra a resistência antimicrobiana, pois é possível que os micróbios das cavernas produzam antibióticos ancestrais contra os quais as bactérias da superfície tenham se esquecido de como se defender, ou que nunca tenham nem mesmo encontrado.
Os cientistas estão explorando cavernas e retirando amostras de solo para cultivar as bactérias resultantes e testá-las contra superbactérias conhecidas, com o objetivo de encontrar novos antibióticos eficazes.
Fonte: Saúde Brasil


