EconomiaBNDESNo final do prazo, Sigma ainda não conseguiu receber dinheiro do BNDES

No final do prazo, Sigma ainda não conseguiu receber dinheiro do BNDES

Mineradora não apresentou ao banco as condições para receber financiamento aprovado em agosto de 2024

A mineradora Sigma Lithium ainda não recebeu os recursos do financiamento de R$ 486,7 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), anunciado em agosto de 2024. De acordo com o BNDES, passado mais de um ano da aprovação do crédito, as condições prévias para a liberação do dinheiro ainda não foram integralmente cumpridas pela Sigma. O prazo vai até o dia 7 de abril deste ano.

O financiamento compõe grande parte dos investimentos de US$ 100 milhões para instalação de uma segunda linha de produção de lítio no complexo industrial Grota do Cirilo, no Vale do Jequitinhonha. O aporte total em capex foi definido na época em R$ 492,4 milhões. O empréstimo terá juros de 7,45% ao ano, período de carência de um ano e meio e prazo de pagamento de 16 anos. Os recursos são provenientes do Novo Fundo Clima do banco.

Uma exigência do BNDES para liberar o empréstimo é a apresentação de uma carta fiança pela Sigma assinada por alguma instituição financeira, situação que a empresa enfrentou dificuldades. Até a parte final do ano passado, a empresa ainda não tinha encontrado um banco disposto a ser seu fiador no financiamento. A companhia não retornou até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto.

Em nota, o BNDES declarou que, conforme previsto no contrato de empréstimo, existe a possibilidade de uma extensão do prazo para a empresa apresentar as condições para liberação do crédito, “o que eventualmente pode ser concedido, mediante avaliação do Banco sobre pleito da empresa, observadas as condições técnicas e contratuais aplicáveis”.

Se por um lado a empresa encontra dificuldades de conseguir um fiador, por outro lado, em balanço divulgado nesta semana, a Sigma anunciou dois novos acordos de venda antecipada de lítio, que juntos somam US$ 146 milhões. A companhia espera receber US$ 96 milhões no segundo trimestre deste ano, após ter registrado entrada de caixa de US$ 35 milhões no primeiro trimestre de 2026, principalmente com a venda de concentrado de alta pureza.

Os contratos offtake preveem o fornecimento de concentrado premium de óxido de lítio a partir de 2026. Um acordo envolve US$ 96 milhões em pré-pagamentos para o fornecimento de 70,5 mil toneladas ao longo do ano. Outro prevê aporte de US$ 50 milhões para a entrega de 40 mil toneladas/ano durante três anos, também com início em 2026.

A Sigma fechou o ano passado com uma redução de 60% da sua dívida de financiamento comercial em relação a 2024, o que contribuiu para a dívida total da companhia diminuir 35% também na comparação ano a ano. Assim, a empresa fechou o último exercício com uma dívida total de US$ 141 milhões, o que inclui um empréstimo de US$ 100 milhões que a empresa espera liquidar em 2026, com recursos dos contratos offtake e do fluxo de caixa.

A empresa reportou também receita líquida de vendas combinada de aproximadamente US$ 67 milhões no 4º tri de 2025 e 1º tri de 2026. A companhia gerou US$ 31 milhões em fluxo de caixa operacional apenas no 4º tri de 2025, o que representa um aumento de 35% em relação ao trimestre anterior.

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