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PF faz operação contra fraudes de R$ 500 milhões na Caixa; CEO e ex-sócio do Grupo Fictor são alvos

Há 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva. Grupo Fictor tentou comprar o Banco Master momentos antes da prisão de Daniel Vorcaro

BRASÍLIA – A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (25/3), uma operação para desarticular organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal, que podem superar os R$ 500 milhões, além de estelionato e lavagem de dinheiro.

Agentes foram às ruas para cumprir 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, em cidades dos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia, na Operação Fallax.

Entre os alvos está o CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael Góis. Ele sofreu buscas. Também há mandado de busca e apreensão contra um ex-sócio do Fictor. O grupo é uma holding com 10 empresas, que atuam no agronegócio, no setor financeiro e em energia.

O Fictor também está no escândalo do Banco Master. O grupo anunciou a compra da instituição de Daniel Vorcaro em novembro, com aporte imediato de R$ 3 bilhões e participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos, até hoje desconhecidos. Agentes desconfiam que o negócio visava camuflar a fuga de Vorcaro, que foi preso no mesmo dia. No dia seguinte, o Banco Central Liquidou o Master.

Em fevereiro, o Fictor entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, com dívidas de R$ 4 bilhões.

Quase R$ 50 milhões em bloqueio de bens

Para a operação desta quarta-feira, também foi determinado o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até R$ 47 milhões, visando descapitalizar a organização criminosa.

Foram autorizadas ainda medidas cautelares para o rastreamento de ativos financeiros, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas.

A investigação começou em 2024, quando foram identificados indícios de um esquema estruturado voltado à obtenção de vantagens ilícitas, segundo a PF.

“O grupo criminoso atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da utilização de empresas, inclusive vinculadas a grupo econômico específico, para a movimentação de valores e para a ocultação de recursos ilícitos”, diz a PF em nota.

De acordo com as investigações, a organização usava empresas de fachada e estruturas empresariais para dissimular a origem dos recursos ilícitos. Funcionários de instituições financeiras inseriam dados falsos nos sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. Posteriormente, os valores eram convertidos em bens de luxo e em criptoativos, com o intuito de dificultar o rastreamento.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, de estelionato qualificado, de lavagem de dinheiro, de gestão fraudulenta, de corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional, cujas penas, somadas, podem ultrapassar 50 anos de reclusão.

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