O governador Mateus Simões (PSD) tomou posse neste domingo (22/3) afagando deputados estaduais, servidores, criticando o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), sem citá-lo nominalmente, e anunciando que, a partir da próxima quinta-feira (26/3) fará um giro de 100 dias pelo interior do estado.
A posse ocorreu na Assembleia Legislativa. Em seguida, Simões, que era vice do governador Romeu Zema (Novo), se dirigiu ao Palácio da Liberdade, onde o agora ex-chefe do Poder Executivo estadual fez a transmissão do posto. Zema renunciou ao comando do governo, após dois mandatos consecutivos, para se dedicar à pré-campanha à presidência da República.
Participaram da posse na Assembleia Legislativa, além dos deputados, familiares e amigos do governador. No Palácio da Liberdade, havia ainda prefeitos e vereadores da capital e interior. Parte do discurso na sede do Poder Legislativo foi usada para afagar os deputados da Casa. Conforme Simões, foi com os deputados que aprendeu a ouvir prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. “Para formar o mapa exato daquilo que a população quer e precisa”, discursou. O governador disse ainda ter orgulho de conhecer cada parlamentar.
O discurso acontece aproximadamente dois meses após atrito de Simões com a deputada Lud Falcão (Podemos). A parlamentar afirmou à época que o então vice-governador a ameaçou afirmando que lhe fecharia as portas do estado após seu marido, o prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), criticar o governo do estado. Em nota, a Assembleia, naquele momento, afirmou que a defesa das prerrogativas parlamentares e a garantia do livre exercício do mandato são pilares fundamentais de sua atuação institucional. No texto o Poder Legislativo disse ainda que o diálogo entre os poderes (Legislativo e Executivo) deve ser pautado, permanentemente, pelo respeito mútuo e pela independência constitucional (…)”.
Viagens ao interior
Na Assembleia, e também no discurso no Palácio da Liberdade, Simões anunciou um giro de 100 dias pelo interior do estado. A justificativa oficial é mostrar que o governo está próximo do povo. As viagens começam na próxima quinta-feira (26/3), por Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Todas as 16 regiões do estado, divisão feita pelo setor da saúde do estado, serão visitadas.
Durante a presença do governador, a capital do estado será transferida para as cidades polo dessas regiões. “Oitenta por cento da população mora no interior, e ele não pode ser entendido se a gente continua longe de lá”, justificou Simões.
A decisão do agora governador de passar 100 dias no interior logo na primeira semana de governo pode ter haver também com o fato de Simões, que é pré-candidato à reeleição, ainda patinar nas pesquisas de intenção de voto. Como vice-governador, o atual chefe do Poder Executivo estadual também já passava boa parte do tempo em viagens pelo estado. Simões, inclusive, provou que já vinha rodando Minas Gerais, citando casos de moradores que precisariam de presença mais próxima do governo.
Entre vários casos, Simões falou sobre o dono de um bar próximo a ponte no Rio Grande, na divisa do estado com São Paulo, no município de Urucuia. “Aqui, de Belo Horizonte, também não dá para conhecer a história do seu José Donizete, que eu fui visitar quando fui olhar o que estava acontecendo naquela ponte sobre o Rio Grande, que não tem dono aparentemente. O rio é federal, mas a União diz que a ponte não é dela”, disse, no discurso.
E seguiu: “Minas diz que não foi Minas que construiu. São Paulo também diz que não foi São Paulo que construiu, apesar de Minas e São Paulo terem estradas que levam até a ponte. A ponte está com fissuras num pilar, teve de ser interditada e o problema parece que não é de ninguém, mas é do seu José Donizete, que tem uma venda que fica quase na beirada do rio, e por onde não passa mais ninguém hoje”, afirmou Simões.
Menção a adversário
Outra parte do discurso, na Assembleia Legislativa, Simões destinou para criticar o senador Cleitinho (Republicanos), um de seus possíveis rivais na disputa pelo Palácio Tiradentes em outubro. Simões já confirmou a intenção de brigar para se manter no cargo, enquanto Cleitinho afirma que só tomará a decisão em julho. No momento em que falava sobre dificuldades enfrentadas por moradores do estado, e a necessidade de o governo estar no interior, Simões, sem citar o nome do senador, disse que publicações na internet não resolverão problemas.
Cleitinho é famoso pelos vídeos que faz nesta linha, abordando o que estaria prejudicando a população. “E a verdade é que problemas reais não podem ser resolvidos por planilhas burocráticas, nem por vídeos nas redes sociais”, disse Simões. A reportagem enviou questionamentos ao senador Cleitinho e aguarda retorno. Sobre obras, no Palácio da Liberdade, Simões prometeu construir 300 postos de saúde no estado, o que será feito, conforme o governador, com recursos próprios da administração.


