A aeronave da Polícia Federal (PF) está em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, para transportar Douglas de Azevedo Carvalho, traficante mineiro conhecido como “Mancha”, preso no último domingo (15/3) fundador de facção criminosa atuante em Belo Horizonte que, segundo a Polícia Civil, tinha perfil empresarial e negociava com integrantes tanto do Comando Vermelho (CV) como do Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com a corporação, o jato da PF pousou ainda na segunda-feira (16) no país para fazer o transporte do criminoso, apontado como “um dos maiores líderes de facção criminosa de Minas Gerais”. “O voo segue para Brasília. Após, seguirá para Belo Horizonte, onde o preso será custodiado no sistema penitenciário”, completou por nota.
Até a manhã desta terça-feira (17), fontes ligadas à PF informaram ainda não terem previsão de quando o avião deixará a Bolívia em direção ao Brasil ou da chegada na capital mineira.
“Mancha” estava foragido e aparecia na lista de procurados do Programa Captura, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Havia mandado de prisão em aberto contra ele, expedido pela Justiça de Minas Gerais.
Fundador da TDD
Douglas é fundador da facção “Tropa do Douglas (TDD)”, que se aliou recentemente ao PCC e a outros grupos criminosos em Belo Horizonte. Ele ganhou notoriedade no mundo do crime ao enviar mais de 300 kg de cocaína escondidos em uma carga de açaí para a Europa.
“Mancha” responde a processos por tráfico internacional de drogas, tráfico interestadual, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Ele será encaminhado a uma unidade prisional de Minas Gerais, onde permanecerá preso e à disposição da Justiça.
Em coletiva concedida na última segunda, o delegado Raphael Machado, titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco 2), explicou que o próprio local da prisão evidencia a capacidade do traficante de transitar entre diferentes facções criminosas.
“Identificamos a vinculação dele com pessoas do CV. Mas ele foi capturado em uma área ocupada por indivíduos do PCC. A gente acredita que ele tem um perfil mais empresarial, que não se vincula a uma facção específica e atua de forma oportunista”, afirmou.
Natural de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Mancha iniciou a trajetória no crime com roubos de carga. Com o tempo, migrou para o tráfico interestadual e internacional de drogas. O delegado Álvaro Homero Huertas dos Santos também destacou a forma de atuação do investigado dentro do crime organizado. “Demonstrou ser um forte comerciante, com porte empresarial. Negociava com quem pagava o melhor preço”, disse.


