Os preços internacionais do petróleo dispararam para US$ 119,50 o barril Brent na manhã desta segunda-feira (9/3), após ataques de Irã e Israel atingirem plataformas estratégicas dos dois países no domingo (8/3). Desde o início da guerra, com os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, a commodity acumula alta próxima de 35%.
A disparada de preço nesta segunda-feira também reflete o impacto da escolha do novo líder iraniano e o apoio do presidente Vladimir Putin a ele. “Na abertura do mercado, vimos o petróleo extremamente agressivo, subindo quase 20%. É o impacto da escolha do novo líder do Irã, em um movimento de ocorrer novamente uma concentração no regime iraniano. O mercado volta a projetar um conflito com uma duração mais longa”, explica Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos.
Mudança no comando iraniano
A Assembleia de Especialistas do Irã anunciou neste domingo (8/3) a nomeação de Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como novo líder supremo do país, segundo informou a mídia estatal. Ele vai substituir seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, que ocupava o cargo desde 1989 e morreu durante o primeiro dia de ataque dos EUA/Israel. Nesta segunda (9/3), Putin prometeu “apoio inabalável” ao novo líder.
O especialista Pedro Moreira também destaca que a oferta global de petróleo pode ser abalada. “A gente vê alguns países se movimentando para começar a usar reservas estratégicas; por isso o preço do petróleo subiu 20% nesta segunda. Importante destacar que ainda há muitos navios-tanque nos mares, o que vai ajudar na oferta, mas a realidade é que, no Estreito de Ormuz, há uma passagem de navios petroleiros muito menor, e isso impacta diretamente na oferta quando projetamos um período maior de tempo”, informa.
Impactos logísticos e geopolíticos
Sempre que há tensão ou conflito envolvendo o Golfo Pérsico, o mercado imediatamente passa a precificar o risco sobre a cadeia de oferta global de petróleo. A avaliação é de Cesar Queiroz, especialista do mercado financeiro e CEO da Queiroz Investimentos e Participações.
“O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, por onde transita uma fatia significativa da produção internacional. Quando surge qualquer ameaça de bloqueio, restrição ou instabilidade na região, o mercado antecipa um possível gargalo logístico”, explica.
“Mesmo que o fechamento não se concretize, o simples aumento do risco já é suficiente para gerar preocupação com a redução da oferta. E, em commodities, a expectativa de menor oferta tende a resultar em pressão de alta no preço do barril, com reflexos diretos na inflação e na dinâmica econômica global”, completa Cesar Queiroz.


