BRASÍLIA – A bancada do partido Novo no Congresso, ao lado do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), vai protocolar nesta segunda-feira (9/3) um novo pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O anúncio será feito em coletiva de imprensa marcada para a tarde desta segunda no Senado.
A medida ocorre em meio ao avanço das investigações e às recentes revelações envolvendo o caso do Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Mensagens atribuídas ao banqueiro indicam conversas com diversas autoridades em Brasília, entre elas o ministro Alexandre de Moraes. Parte do diálogo teria ocorrido, inclusive, no mesmo dia da primeira prisão de Vorcaro.
Nos últimos dias, parlamentares intensificaram as críticas ao magistrado e passaram a defender novas medidas políticas e jurídicas, alegando possíveis irregularidades e conflito de interesses relacionados à condução do caso.
Além do pedido de impeachment de Moraes, o grupo pretende anunciar outras frentes de atuação. Entre elas estão a apresentação de uma representação no Conselho de Ética do Senado contra o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e uma notícia-crime a ser encaminhada à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ministro.
Após as revelações sobre a rede de contatos de Vorcaro, a oposição também intensificou a pressão pela instalação de uma CPI para apurar a atuação do Banco Master e possíveis conexões com políticos. Diversas comissões do Congresso já aprovaram requerimentos relacionados ao caso, mas nenhuma investigação exclusiva foi aberta até agora. A cúpula do Congresso, no entanto, não tem sinalizado disposição para instalar a comissão.
O gabinete de Moraes nega qualquer irregularidade. Em nota divulgada na última semana, o ministro afirmou que mensagens atribuídas a ele não correspondem a seus contatos e que análises técnicas indicam que os registros divulgados não foram direcionados ao magistrado.
Escalada de pedidos
O novo movimento se soma a uma sequência de iniciativas parecidas apresentadas pela oposição nos últimos meses. Moraes já é alvo de dezenas de pedidos de impeachment protocolados no Senado ao longo dos últimos anos, embora nenhum deles tenha avançado até agora.
Pela Constituição, cabe ao Senado analisar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. O processo depende de decisão do presidente da Casa para ser admitido e, caso avance, é julgado pelos próprios senadores.
Nos bastidores, líderes do governo do Congresso avaliam que parte dessas iniciativas tem, sobretudo, componente político. O tema tem sido explorado pela oposição como bandeira e como estratégia para pressionar a opinião pública e ampliar o debate sobre os limites de atuação do STF.
Cálculo eleitoral
Além da disputa institucional, parlamentares admitem que a ofensiva também dialoga com o cenário eleitoral de 2026. Como o Senado é a Casa responsável por julgar pedidos de impeachment contra ministros do STF, partidos de oposição têm defendido a necessidade de eleger uma bancada mais robusta na Casa para viabilizar esse tipo de processo.
Enquanto isso, o caso do Banco Master segue em investigação. A apuração da Polícia Federal (PF) envolve suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de demonstrações financeiras e lavagem de dinheiro relacionadas às operações da instituição financeira, que entrou em liquidação em 2025.


